Deputado da UNITA queixa-se de militares por "agressões, humilhações


 

Lusa/Ao online   Internacional   29 de Nov de 2007, 06:46

O deputado da UNITA Alexandre Neto Salombé disse à Agência Lusa que vai hoje queixar-se, no Parlamento angolano e nos tribunais, de ter sido vítima de "agressões, humilhações e tortura psicológica" por parte da polícia militar.
O incidente ocorreu por volta das 10:00 de quarta-feira, no Bairro do Iraque, em Colónia, onde estão a decorrer demolições há várias semanas.

    Alexandre Neto que é também director da rádio Despertar e António Cascais, jornalista português free-lancer, que trabalha para a emissora pública alemã Deutsche Welle (Voz da Alemanha), foram impedidos por militares e seguranças de registar os acontecimentos com um gravador e uma câmara de filmar.

    Contactado por telefone, o deputado disse à Lusa ter sido vítima de humilhações e tortura psicológica por parte de militares, seguranças e do responsável da empresa que está a gerir as demolições.

    "Passámos horas no espaço que funciona como escritório daquela empresa. Houve ameaças, tortura psicológica e muita gritaria. No fim, o alegado responsável [da empresa] exigiu que lhe pedíssemos desculpas por termos entrado naquela área sem pedido de autorização formal, e quando recusei, ameaçou que [figuras] superiores iriam tratar do caso", relatou Alexandre Neto.

    Segundo o deputado, que considerou a polícia militar angolana "muito agressiva", e a polícia nacional pouco eficiente na sua obrigação de garantir segurança aos cidadãos, o caso irá ser levado para discussão no Parlamento e no tribunal.

    "Eu e os meus colegas de partido vamos participar o caso a nível de assembleia. Além disso, o meu advogado encontrou motivos suficientes para levantamento de um processo judicial contra os seguranças e os polícias que nos agrediram e contra a empresa, porque o que aconteceu hoje e continua a acontecer naquele bairro é completamente inconstitucional", disse o membro da principal força de oposição em Angola.

    António Cascais, por sua vez, relatou que o cenário que viu no Bairro do Iraque se assemelhava ao de uma "guerra civil", pelo que considerou obrigação sua, enquanto jornalista, divulgar o que estava a passar-se.

    De acordo com o jornalista, os agentes da polícia militar confiscaram o seu equipamento e o de Alexandre Salombé. "A polícia militar meteu-nos num jipe e fomos levados ao suposto escritório da empresa", disse.

    "Os seguranças empurraram-me, rasgaram-me a camisa e ainda deram bofetadas no Alexandre Neto. As coisas só acalmaram quando fomos levados à [esquadra da] Polícia Nacional, onde nos devolveram a câmara e o gravador, mas parte do equipamento continua com eles", referiu.

    Apesar de tudo, o jornalista considerou que tudo correu melhor do que esperava.

    António Cascais está em Viana, perto de Luanda, a dar um curso de jornalismo da Academia da Deutsche Welle, empresa com a qual trabalha há já vinte anos. Apesar do incidente, o jornalista deverá permanecer em Viana até dia 23 de Dezembro, data em que termina o referido curso.

    Entrevistado pela Lusa, Johannes Beck - chefe dos serviços de português da Deutsche Welle -, disse que a empresa foi informada sobre o incidente por volta das 11:00, pela rádio independente angolana Despertar.

    "Assim que soubemos, demos imediatamente conhecimento à embaixada da Alemanha que, por sua vez, informou a embaixada portuguesa", referiu.

    O jornalista alemão acrescentou ainda que a Deutsche Welle contactou várias personalidades em Angola, para tentar que a polícia militar e o Ministério do Interior libertassem o jornalista e Alexandre Neto.

    O mesmo responsável garantiu que a emissora irá analisar o que se sucedeu para saber se será necessário ainda protestar junto das autoridades angolanas, sublinhando que "o objectivo da Deutsche Welle é a defesa da liberdade de imprensa e que atentados contra esta liberdade, incluindo agressões a jornalistas são sempre vistas com natural desagrado".

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