Segundo a Deco, o Banco de Portugal deverá regulamentar a situação, passando a taxa a ser a mesma para todos os bancos, isto para obviar o aumento nas comissões, que registou um máximo de 39 por cento em três anos.
Um estudo da Deco ProTeste a 19 bancos sobre as comissões cobradas no crédito à habitação, incidindo na avaliação da casa e na abertura do processo de crédito, entre os anos de 2006 e 2008, revela que se registou um aumento máximo de 39 por cento.
A investigação incidiu nas comissões cobradas na abertura do processo e na avaliação feita da casa pelo engenheiro ou outro técnico, tendo as comissões "variado entre menos 7,9 e 39 por cento", explicou à Lusa o economista Vinay Pranjivan, da Deco.
Segundo o economista, naquele período de tempo, "um banco baixou a comissão, seis não mexeram nas comissões, tendo os outros restantes aumentado entre 5,4 e 39 por cento".
As taxas de comissão cobrada pelos bancos oscilam entre os 175 e os 560 euros e, em "dez casos, o aumento foi superior à inflação".
A Deco considera que tais aumentos "destinam-se a compensar a perda de receitas, decorrente das "alterações à lei dos últimos dois anos, levando a que as instituições bancárias "aumentem as comissões no início do contrato".
Um outro aspecto tem a ver com a última prestação e o cancelamento da hipoteca , "acto que custa 72 euros na Conservatória do Registo Predial, havendo alguns bancos a cobrarem uma comissão para o distrate da hipoteca, "atitude que a Deco considera ilegal".
No caso do distrate, a Deco aconselha a que o consumidor a amortizar os empréstimos uns meses antes, de modo a pagar apenas 0,5 ou 2 por cento do montante que liquida, consoante a taxa.
Para a Deco, o "Banco de Portugal deve obrigar os bancos a aplicar um só valor no início, e para "evitar abuso e confusões, o nome da comissão deve ser igual em todas as instituições bancárias".
Relativamente ao distrate, o economista Vinay Pranjvan, explica que decreto-lei 51/2007, no seu artº 8, veio limitar as amortizações , confirmado posteriormente por uma carta-circular do Banco de Portugal, (ponto 3), que "no entender da Deco não deve ser cobrada qualquer comissão de distrate".
Sobre este assunto, a Deco adintou já ter comunicado as"exigências ao Banco de Portugal e à Secretaria de Estado da Defesa do Consumidor", para "actuarem rapidamente e em conformidade".
A Lusa tentou obter um comentário do secretário de Estado da Defesa do Consumidor, mas até ao momento não foi possível.
Deco defende valor único para comissões cobradas pela banca no crédito à habitação
A Deco Proteste defendeu hoje num estudo sobre as comissões cobradas pelos bancos no crédito à habitação a "aplicação de um único valor no início do contrato, para evitar abusos e confusões".
Autor: Lusa/AO Online
