Debates eleitorais na Rússia provocam "alucinações"


 

Lusa / AO online   Internacional   25 de Nov de 2007, 11:41

A Rússia realiza eleições legislativas a 02 de Dezembro, mas os eleitores dão pouca atenção aos debates televisivos e os que dizem segui-los afirmam que viram o que não era possível ver, revelam estudos de opinião.
    Uma sondagem do Centro de Estudo da Opinião Pública (VTSIOM), realizada a 17 e 18 de Novembro, mostra que 74 a 87 por cento dos russos não vêem os debates parlamentares. Uma semana antes, esse indicador era ainda maior, entre 84 e 92 por cento.

    Os debates que suscitaram maior interesse contaram com a participação do Partido Liberal Democrático, Partido Comunista e Rússia Justa. O auditório mais reduzido foi registado naqueles em que estiveram o Partido da Justiça Social, o Partido Agrário e o Partido Democrático.

    Entretanto, no mesmo inquérito, oito por cento afirmou ter visto debates na televisão com a participação da Rússia Unida, cujo cabeça de lista é o Presidente Vladimir Putin, quando este partido se recusou a participar.

    Uma semana antes, o número de inquiridos que dizia ter assistido a esses debates inexistentes era ainda maior: 13 por cento.

    A sondagem do VTSIOM mostra igualmente que 69 por cento daqueles que dizem ter visto esses debates deram a vitória ao partido de Putin.

    "Os métodos de trabalho do VTSIOM, em cujo conselho de directores estão representantes da Presidência, já foi posta em causa antes. Eles estão também entre os que encomendam não só os estudos, mas, como se diz, igualmente os resultados", escreveu o jornal electrónico newsru.com.

    Segundo um outro estudo, realizado pelo Levada Tsentr entre 09 e 13 de Novembro, 64 por cento dos inquiridos não acompanharam os debates televisivos e 43 por cento estão convencidos de que estes "não exercem qualquer influência na escolha do partido".

    A mesma sondagem mostra que 48 por cento considera que as eleições parlamentares "não passam de uma aparente luta e que a distribuição dos assentos no Parlamento depende da vontade do poder".

    Trinta e quatro por cento acreditam que existe "uma luta real pelos assentos parlamentares".

    Quanto aos resultados eleitorais, as sondagens divergem sobre a envergadura da vitória da Rússia Unida e o número de partidos que irão superar a barreira dos sete por cento, que permite eleger deputados da Duma. A margem de erro dos estudos é de três por cento.

    No dia 02 de Dezembro, 11 partidos disputam os 450 assentos na Duma Estatal, a câmara baixa do Parlamento da Rússia.

    Segundo o Levada Tsentr, a Rússia Unida conquistará 64 por cento dos votos, o Partido Comunista poderá ter 14 por cento, o Partido Liberal Democrático 6 por cento e a Rússia Justa 4 por cento.

    Os dados do VTSIOM indicam que a Rússia Unida terá 55,6 por cento, o Partido Comunista conseguirá seis por cento, os partidos Liberal Democrático e Rússia Justa cinco por cento.

    A sondagem da Fundação Opinião Pública dá também a vitória à Rússia Unida com 62 por cento, o Partido Comunista poderá chegar aos 10 por cento e a Rússia Justa sete por cento.

    Todos estes estudos apontam para uma maioria constitucional da Rússia Unida na nova Duma, porque os votos conseguidos pelas forças políticas que não superem a barreira dos sete por cento serão proporcionalmente distribuídos entre os partidos que elegerem deputados.

    Um estudo do Centro Sociológico da Academia de Funcionários Públicos da Rússia dá, entretanto, resultados divergentes dos três estudos anteriores.

    Segundo esta sondagem, a Rússia Unida poderá conquistar entre 46 e 48 por cento, o Partido Comunista conseguirá entre 16 e 18 por cento, o Partido Liberal Democrático, entre 10 e 12 por cento, e a Rússia Justa, entre 8 e 10 por cento.

    Se os prognósticos deste estudo se concretizarem, a Rússia Unida não terá a maioria constitucional, o Partido Comunista e o Partido Liberal Democrático conservarão as suas posições na futura Duma e a Rússia Justa poderá formar o seu grupo parlamentar.

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