Sociedade

Cruz Vermelha admite que pobreza está a aumentar

Cruz Vermelha admite que pobreza está a aumentar

 

Paulo Faustino   Regional   17 de Out de 2008, 11:38

Número de pedidos de apoio à instituição aumentou nos Açores. Cruz Vermelha reconhece a existência de dois tipos de pobreza: uma “envergonhada” e outra de pessoas que “não querem trabalhar e preferem pedir esmola”. Essa última é a que mais preocupação provoca
O responsável pelo núcleo da Cruz Vermelha em São Miguel considera que o flagelo da pobreza está a aumentar nos Açores, dado o aumento do número de pedidos de apoio à instituição.
Luís Cabral reconheceu ao Açoriano Oriental a existência de dois tipos de pobreza: uma “envergonhada”, que sempre existiu, e outra, bastante diferente, resultante de pessoas que “não querem trabalhar”.
 Entenda-se por esta última quem tem capacidade para ter uma ocupação mas prefere pedir esmola.
 É aliás o mesmo género de pobreza que tem sido enfatizado nesta campanha eleitoral por via de alguns “preguiçosos” e “malandros” - como lhes chamou Carlos César e Artur Lima, os candidatos do PS e CDS-PP - que vivem à sombra do Rendimento Social de Inserção (RSI).
 “Dentro do meu trabalho, tenho a noção de que aumentou a chamada pobreza envergonhada e, ao lado, surge depois a pobreza de quem não quer trabalhar”, sustenta, com base na experiência adquirida nos últimos tempos.
Hoje, quando se assinala o Dia Internacional para a Erradicação da Pobreza, a situação não é muito famosa nos Açores, com o aumento dos casos em que a Cruz Vermelha é chamada a intervir para doação de roupa, incluindo a distribuição de alimentos.
Essas solicitações verificam-se em São Miguel, mas são ainda mais frequentes na ilha Terceira, onde a instituição de apoio social está sedeada e tem a sua principal esfera de acção.
Da lista de solicitadores Luís Cabral exclui quem pode trabalhar mas prefere pedir esmola. Esses não são verdadeiramente pobres. Pobres são as famílias com filhos, que subsistem do seu trabalho e que, com o agravamento do custo de vida, enfrentam grandes dificuldades em pagar as dívidas da sua habitação e satisfazer necessidades básicas. Em relação a esses, “neste momento pode dizer-se que a pobreza tem aumentado de forma relativa, dado que o custo de vida também tem aumentado”, reconheceu. O antigo responsável pela Cáritas Diocesana de São Miguel reforça essa ideia. Monsenhor Weber Machado salienta que a pobreza tem particular incidência no fosso, que está “a aumentar”, entre ricos e pobres. “A crise infelizmente atinge sempre os mais débeis: os pobres, os que ganham menos (salários mínimos)...essa gente é que está aflita com rendas para pagar, prestações bancárias para a habitação”, salientou.
 O sacerdote, conhecido pelo seu trabalho de apoio aos pobres e desfavorecidos em São Miguel, concorda com a existência do RSI para agregados carenciados, mas alerta para a necessidade de serem “combatidos os abusos” na sua aplicação.
Na verdade, “é preciso mais fiscalização para evitar que alguns venham sujar uma medida absolutamente justa”.
Refira-se que o   número de beneficiários do RSI atingiu no primeiro semestre deste ano  18482 pessoas abrangidas , correspondendo a 5007 famílias.
Desse conjunto, mais de mil agregados não tinham nenhum rendimento e 2241 famílias apresentavam orçamentos mensais até 400 euros.
Já o Banco Alimentar Contra a Fome, em São Miguel, apoiou 10517 pessoas em 2007 e 2006, mais do que em 2005 (10377 pessoas).
 O número de instituições que apoiou também se manteve relativamente o mesmo entre 2005 (71), 2006 (72) e 2007 (72).
A próxima campanha de recolha de alimentos em supermercados e superfícies comerciais realiza-se a 29 e 30 de Novembro.
O Banco Alimentar angariou 17 toneladas de produtos na campanha de recolha de 3 e 4 de Maio.|

Açormédia, S.A. | Todos os direitos reservados

Este site utiliza cookies: ao navegar no site está a consentir a sua utilização.
Consulte os termos e condições de utilização e a política de privacidade do site do Açoriano Oriental.