Invetigação do caso McCann

Coordenador da PJ de Portimão demitido


 

Lusa/AO online   Nacional   2 de Out de 2007, 18:09

O director nacional da Polícia Judiciária, Alípio Ribeiro, disse esta terça-feira que o responsável da PJ pela investigação do caso Madeleine McCann, Gonçalo Amaral, "cessou a comissão de serviço" como coordenador do Departamento de Investigação Criminal de Portimão.
       "Foi uma decisão tomada pelo director nacional", acrescentou Alípio Ribeiro, à margem da conferência internacional sobre "Guerras, Mulheres e Direitos", em Lisboa.

    O coordenador da investigação do caso da menina inglesa desaparecida no Algarve acusou, em declarações publicadas hoje pelo Diário de Notícias, a Polícia inglesa de investigar “unicamente” pistas e informações “trabalhadas” pelos pais de Madeleine McCann.

    “A Polícia britânica tem estado unicamente a trabalhar sobre aquilo que o casal McCann pretende e lhe convém”, disse Gonçalo Amaral, quando comentava a notícia publicada segunda-feira em vários jornais ingleses dando conta de um e-mail anónimo enviado para o site oficial do príncipe Carlos que acusa uma ex-empregada do Ocean Club, empreendimento de onde desapareceu a criança de quatro anos, de ter raptado a menina por vingança.

    Gonçalo Amaral disse ao DN que tal informação não “tem qualquer credibilidade para a Polícia portuguesa”, estando “completamente posta de parte”.

    Acrescentou que os seus colegas ingleses “têm vindo a investigar dicas e informações criadas e trabalhadas pelos McCann, esquecendo-se que o casal é suspeito da morte da sua filha Madeleine”.

    Para o até agora responsável pelo Departamento de Investigação Criminal de Portimão da PJ, a história do rapto por vingança não passa de “mais um facto trabalhado pelos McCann”.

    O Ocean Club “está situado na Praia da Luz e não em Londres, o que significa que tudo o que diga respeito ao aldeamento e respectivos funcionários já foi ou está a ser investigado pela Polícia Judiciária”, adiantou.

    Garantiu que não será um “e-mail, ainda por cima anónimo, que é fácil saber de onde partiu, que vai distrair a linha de investigação” da PJ.

    Em reacção aos comentários de Gonçalo Amaral, o ministro da Justiça, Alberto Costa, reafirmou hoje que as relações entre a PJ e a Polícia britânica no caso Madeleine são de "cooperação profícua".

    "É preciso centrarmo-nos no trabalho e não no comentário", afirmou Alberto Costa, que não se quis alongar em declarações sobre a críticas feitas pelo até agora coordenador do caso e responsável pelo Departamento de Investigação Criminal de Portimão, Gonçalo Amaral.

    Por sua vez, a Polícia britânica reiterou hoje que continua a "apoiar a Polícia portuguesa" no caso do desaparecimento de Madeleine McCann, recusando comentar as críticas feitas por Gonçalo Amaral.

    "A Polícia de Leicestershire é uma entre várias agências da lei [britânicas] que continua a apoiar a Polícia portuguesa na sua investigação ao desaparecimento de Madeleine McCann", declarou hoje à agência Lusa uma porta-voz daquela força.

    Madeleine McCann desapareceu de um apartamento da Praia da Luz onde passava férias com os pais e os irmãos a 03 de Maio.

    Depois de a PJ ter investigado a tese de rapto, os pais da menina, Kate e Gerry McCann, foram constituídos arguidos a 07 de Setembro, tendo abandonado o país dois dias depois.

    Kate e Gerry McCann são, segundo os seus porta-vozes, suspeitos de homicídio involuntário e de ocultação de cadáver.

    No entanto, os McCann não deixam de clamar a sua inocência e apelam à continuação das buscas para tentar encontrar a sua filha, hoje com quatro anos.
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