Consulta aos cinco anos é uma das novidades do novo Boletim de Saúde Infantil

Consulta aos cinco anos é uma das novidades do novo Boletim de Saúde Infantil

 

Lusa/AO online   Nacional   10 de Out de 2012, 16:08

As crianças vão ter uma consulta médica recomendada aos cinco anos, data que marca o fim da idade pré-escolar, uma das várias novidades do novo Boletim de Saúde Infantil e Juvenil, que entra em vigor no próximo ano.

Para o presidente da Sociedade Portuguesa de Pediatria (SPP), António Guerra, este boletim, que é distribuído na maternidade a cada criança ao nascer, é uma “ferramenta fundamental”.

Em entrevista à agência Lusa, António Guerra sublinhou a grande atenção que os profissionais de saúde dão ao preenchimento deste boletim, no qual constam “todas as informações da criança, relativas ao crescimento e desenvolvimento”.

O boletim vai sofrer alterações no próximo ano, tendo em conta as recomendações da Organização Mundial da Saúde (OMS), recentemente aprovadas pela Direção Geral da Saúde (DGS).

Uma dessas alterações é a recomendação de uma consulta aos cinco anos, uma idade que “marca o fim da idade pré-escolar”.

Nessa altura, “importa que se faça uma avaliação a esse nível de transição e aí devem-se recomendar outras avaliações”, disse.

A mudança também vai atingir a tabela de percentis, que até agora seguia o modelo norte-americano, mas que os profissionais de saúde há muito reconheciam como desajustado.

António Guerra defende “valores de referência que sejam os ideais”.

Estes valores, especificou, “seriam [aqueles] cuja curva de referência resultasse da observação e avaliação de lactentes que crescessem num ambiente totalmente favorável ao pleno crescimento, de acordo com o potencial genético, ou seja, os lactentes alimentados a leite materno, de modo exclusivo, se possível, no primeiro semestre de vida”.

“Essas crianças viveriam num ambiente favorável do ponto de vista social, económico, com uma boa prestação de cuidados de saúde e ausência de tabagismo materno. Todos estes fatores contribuem para o crescimento ser o mais fisiológico e desejável, de acordo com o potencial genético”, adiantou.

António Guerra explicou que “são essas curvas, construídas com base em crianças que cresceram desse modo, que são as verdadeiras referências ideais”.

O pediatra refere que as mudanças no boletim de saúde infantil e juvenil incluem a introdução de textos de apoio que incidem sobre aspetos como a avaliação do desenvolvimento, a saúde oral, a avaliação da tensão arterial, o rastreio das dislipidemias, além das novas curvas do crescimento.

Todas estas alterações vão estar em debate no 13.º Congresso Nacional de Pediatria, que decorre de quinta-feira a sábado, em Tróia.

O encontro vai ter três grandes áreas temáticas: prática clínica, normas e recomendações e prescrição.


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