Confederação do Turismo considera preciso "endurecer posição" sobre mobilidade em Lisboa


 

Lusa/Ao online   Nacional   25 de Nov de 2018, 07:35

O presidente da Confederação do Turismo de Portugal (CTP), Francisco Calheiros aceitou este sábado o repto das agências de viagens, afirmando que é preciso "endurecer posição" relativamente à mobilidade em Lisboa.

"Temos tentado [ser ouvidos pela Câmara Municipal de Lisboa] e não conseguimos. Esta questão da mobilidade em Lisboa não está ultrapassada. Há que endurecer a posição", afirmou Francisco Calheiros no 44.º Congresso Nacional da APAVT, que decorreu em Ponta Delgada, nos Açores.

Em causa, sobretudo, estão as restrições impostas pela Câmara Municipal de Lisboa à circulação de autocarros turísticos na zona histórica da capital, mas também as novas medidas em estudo, como o alargamento desta proibição a outras zonas da cidade.

Na quinta-feira à noite, o presidente da APAVT tinha afirmado que os constrangimentos à operação turística em Lisboa não tinham sido ultrapassados e desafiou a CTP a tomar uma posição de força.

No final de julho de 2017, o município da capital informou ter proibido a circulação de autocarros turísticos com mais de nove lugares nos acessos à Sé e ao Castelo de Lisboa, visando evitar problemas para os moradores, ao nível do ruído e do congestionamento do tráfego, entre outros.

Já na sexta-feira, a vice-presidente da APAVT disse estar desde julho à espera do projeto do novo regulamento para autocarros turísticos em Lisboa, defendendo que vai levar à degradação do serviço.

"Para nós a operação turística em Lisboa é um ciclo novo todos os dias. Quase todos os dias temos surpresas da Câmara Municipal. No último ano temos tentado conversar, dialogar com a câmara - não só nós, também a Confederação do Turismo de Portugal - já chamámos a APL [Associação do Porto de Lisboa] para o assunto, já informámos o Turismo de Portugal para o que se passa, mas as coisas não são fáceis", afirmou Eduarda Neves em Ponta Delgada.

"O diálogo não é fácil. Cada vez que houve alterações fomos informados ou com uma semana de antecedência, ou na melhor das hipóteses um mês, e estamos desde julho - aquando uma penúltima reunião que conseguimos ter com a câmara - à espera de um projeto de um novo regulamento que ainda não chegou. Tivemos novamente uma reunião em novembro e foi-nos prometido que vamos ter esse projeto para podermos dar a nossa opinião e as nossas sugestões", acrescentou Eduarda Neves.

Segundo a mesma responsável, a APAVT tem "uma ideia vaga" do que lhes foi transmitido que a câmara vai fazer em termos de constrangimentos na cidade.

"Rapidamente em toda a Baixa vai ser proibida a circulação de autocarros a partir dos Restauradores, na Ribeira das Naus, portanto, quem vem num cruzeiro e vai sair do barco em Santa Apolónia - um sítio giro para ter um Terminal de Cruzeiros -, não vai conseguir ver a cidade a não ser que seja a pé", explicou.

"Temos já desde o ano passado, e aí tivemos com cerca de um mês de antecedência, o aviso [sobre] a proibição de circular entre o Cais do Sodré e o Largo do Rato, onde estão quase todos os restaurantes que são utilizados todos os dias por vários tipos de grupos, sejam grupos de lazer, sejam de operações regulares, sejam de incentivos ou conferências, e isto tudo é muito difícil porque não conseguimos prestar a qualidade de serviço que poderíamos estar a prestar aos clientes", lamenta Eduarda Neves.

A responsável diz que o setor está atualmente a vender programas turísticos aos clientes "a um, dois ou três anos de distância" e depois não vai "conseguir cumprir" o que foi vendido.

"Portanto, estamos sujeitos a ter que pagar compensações - a ter custos mais elevados - porque em vez de um autocarro a circular, vamos ter que usar três de 15 lugares e que não existem no mercado. Não há guias porque cada vez há menos guias, pois não é obrigatório usar, e como tal em vez de um guia para um autocarro de 50 lugares temos que ter três guias e três autocarros que não existem", descreve.

Logo, a qualidade do serviço "vai-se degradando e não estamos a ver grande abertura para sugestões", reforça Eduarda Neves.

Segundo a responsável, "tem sido extremamente difícil" dialogar com a câmara e como tal não são esperadas "grandes mudanças a favor da operação turística".

"Vamos ver o que é que vem aí. (...) A parte técnica é, entre aspas, 'lixada' pela parte política", concluiu.



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