Açoriano Oriental
Comissão Von der Leyen com votos para todos os gostos dos deputados portugueses

A Comissão Europeia liderada por Ursula Von der Leyen, que será votada quarta-feira no Parlamento Europeu, terá os votos favoráveis de PS, PSD e CDS, mas a oposição de BE e PCP e a abstenção do PAN.

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Foto: EPA/CLEMENS BILAN
Autor: Lusa/AO Online

Na véspera de a Comissão ir finalmente a votos no hemiciclo de Estrasburgo, concluído o processo de audições aos comissários designados – que levou já a um atraso de um mês na entrada em funções do novo executivo, após a rejeição dos nomes originalmente apresentados por França, Hungria e Roménia -, eurodeputados dos seis partidos portugueses com presença no PE foram apenas unânimes em antecipar a aprovação do colégio, que deverá assim assumir funções em 01 de dezembro.

O líder da delegação do PS, Carlos Zorrinho, indicou que os socialistas vão “votar favoravelmente esta Comissão, porque qualquer decisão diferente seria criar instabilidade” e “enfraquecer a Comissão não serve ninguém”.

Por outro lado, sublinhou, a Comissão Von der Leyen tem “um compromisso político, designadamente com os Socialistas e Democratas” (S&D) e “uma parte significativa do seu programa são medidas que foram negociadas e comprometidas com o S&D”.

Zorrinho garantiu todavia que os socialistas estarão “vigilantes”, sobretudo no quadro das negociações sobre o próximo orçamento plurianual da UE (2021-2027), contando que a Comissão seja “aliada” para evitar cortes nas políticas de coesão, agrícola e de pescas.

Já o líder da delegação do PSD, Paulo Rangel, antecipa que não haja sobressaltos na votação de quarta-feira, prevendo mesmo que haja “uma passagem até confortável da Comissão, mais confortável do que aquela passagem um pouco à tangente quando foi o voto para a presidente Von der Leyen”, em julho (foi aprovada apenas por uma diferença de nove votos), pouco depois das eleições europeias, num contexto em que havia “um certo amargo de boca”, tanto entre os socialistas – por não ter sido escolhido Frans Timmermans -, como também no próprio PPE, por o presidente não ser o ‘spitzenkandidat’ Manfred Weber.

“A Comissão é uma boa Comissão, só não sei é se a forma como está organizada será a mais funcional, porque há ali algumas sobreposições de competências que vão dificultar a vida a alguns comissários”, designadamente na área da economia e política monetária, opinou.

A Comissão Von der Leyen terá também o voto a favor do único deputado eleito pelo CDS, Nuno Melo, que no entanto não passa um ‘cheque em branco’ ao novo executivo, tendo de resto já dado conta ao PPE das suas “linhas vermelhas”.

“Da minha parte, eu estarei do lado desta Comissão, tendo deixado claro junto do grupo do PPE que nunca votarei [a favor] o que quer que tenha que ver com impostos europeus ou o que tenha que ver com o fim da regra da unanimidade no caso de recursos próprios ou de política externa, tal e qual como [no caso] de listas transnacionais”, salientou.

Desse modo, indicou, “mesmo que o PPE pretenda que se vote a favor” nestas matérias, Melo votará “contra essa vontade”, porque esse também é o seu mandato eleitoral, “por estar na base naquilo que o CDS defendeu durante toda a campanha e defende do ponto de vista programático para a UE”.

Já o Bloco de Esquerda votará contra a nova Comissão Europeia, tendo José Gusmão apontando que “houve momentos de escrutínio importantes sobre esta Comissão”, designadamente sobre os “conteúdos das pastas, alguns nomes de pastas e conflitos de interesse que eram bastante gritantes no caso de alguns comissários”, mas considerou o desenlace do processo de audições “bastante dececionante”.

“Não há nenhuma alteração nas prioridades estratégicas desta equipa, que denunciam uma redução do peso da política de coesão e grande aposta na militarização da UE”, lamentou.

Questionado sobre se uma rejeição da Comissão não criaria um novo problema à UE, apontou que, “de cinco em cinco anos o mesmo discurso é feito, perante o PE, por quem faz estes negócios nos bastidores”, e “já muitas Comissões passaram por causa desse argumento”.

O outro partido português pertencente ao Grupo da Esquerda Unitária, o PCP, também votará contra, com João Ferreira a comentar que “esta é uma Comissão totalmente alinhada com os interesses das principais potências, seja na sua composição", pois "as figuras proeminentes vêm todas da Alemanha e dos países do centro", seja também porque "é uma Comissão alinhada com esses interesses também pelo programa que apresenta”, tendo as audições aos comissários “acabado por confirmar isso mesmo”.

Antecipando que o executivo de Von der Leyen vai “acentuar um caminho que tem vindo a ser feito de concentração de poder nos grandes Estados e de imposição aos outros Estados de políticas contrárias aos seus interesses e necessidades”, o deputado comunista sublinhou que a rejeição do PCP é “com base em princípios, é uma rejeição que se baseia não meramente em pessoas, mas naquilo que esta Comissão se propôs fazer, que já disse que vai fazer, e no facto de esse programa ser muito negativo para países com Portugal”, porque acentuará assimetrias já hoje existentes.

Por fim, Francisco Guerreiro, do partido Pessoas-Animais-Natureza, admitiu estar “cético”, mas não quer “fechar a porta”, pelo que, à semelhança da posição que deverá ser maioritária no seu grupo político, os Verdes, abster-se-á.

“Temos as nossas dúvidas. É um projeto pró-Europa, nisso claramente estamos alinhados, mas temos muitas dúvidas, nomeadamente quanto à ação climática (…) retórica existe, mas depois na prática não vemos nada em concreto”, disse.

“Eu deixarei a porta em aberto, mas também não passarei nenhum cheque em branco, portanto eu abster-me-ei”, anunciou.


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