Eleições na Argentina

Classe média não acredita no desenvolvimento do país

Classe média não acredita no desenvolvimento do país

 

Lusa / AO online   Internacional   31 de Out de 2007, 16:22

Muitos quadros médios argentinos consideraram esta quarta-feira, em declarações à Agência Lusa, que nada vai mudar nos próximos quatro anos, três dias após a vitória de Cristina Kirchner nas presidenciais de domingo passado.
Rafael Mariano Manóvil, professor de Direito e advogado de Buenos Aires que conviveu de perto com a maioria dos últimos presidentes da Argentina, não tem dúvidas em afirmar que "as eleições presidenciais de domingo passado serviram apenas para reforçar o poder dos Kirchner no país, mas na prática nada se passará".
"Com Cristina Kirchner como Presidente, a Argentina não vai conseguir avançar com as grandes reformas económicas, sociais e educacionais que o país necessita de modo a afirmar-se como uma potência na América Latina. Não adianta fazer grandes promessas eleitorais se na prática vai continuar tudo na mesma", disse à Agência Lusa Mariano Manóvil.
Para Juan Palmero, descendente de pais galegos e condutor de autocarro em Buenos Aires, "o povo argentino tem aquilo que merece, porque mais uma vez teve uma oportunidade única de poder fazer uma mudança para melhor mas optou por mais quatro anos do mesmo".
Osvaldo Fernández, taxista e pai de quatro filhos, reconheceu que o presidente "Néstor Kirchner foi incapaz de fazer grandes reformas no país, mas mesmo assim conseguiu pôr ordem na casa, numa altura em que a Argentina vivia uma crise económica e institucional muito forte".
"Vamos ver se a mulher consegue governar melhor", acrescentou.
Depois da crise em 2001/2002, durante a qual a Argentina teve cinco presidentes em duas semanas, o governo de Néstor Kirchner conseguiu estabilizar o país.
Desde que assumiu a presidência, a Argentina conseguiu crescer entre 8 por cento e 9 por cento ao ano, ou seja, o dobro do Brasil.
O desemprego caiu de 24 por cento em 2001, para 9 por cento no último trimestre.
Kirchner também teve a coragem política de comandar um movimento de direitos humanos para que os envolvidos em torturas fossem julgados.
Maria Olaño, 37 anos, licenciada em Economia, afirmou à Lusa que o antigo ministro da Economia "Roberto Lavagna seria o melhor Presidente para a Argentina neste momento, pois conseguiu apresentar durante a campanha eleitoral um projecto sólido do ponto de vista político e no qual estavam definidas todas as reformas de que o país necessita".
"Lamentavelmente, os eleitores votaram por mais quatro anos de oligarquia Kirchner", disse.
Para o historiador Ricardo de Titto, que estuda a relação entre o poder e as mulheres na Argentina, "Cristina Kirchner conseguiu construir uma imagem distinta da de Evita Péron, procurou não ser conotada como a mulher de Néstor, mas é claro que não teria conseguido ganhar as presidenciais se não tivesse o apelido Kirchner".
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