China ofereceu empréstimo de 7,8 Mil ME para exploração de petróleo no Brasil


 

Lusa/AO online   Economia   8 de Dez de 2008, 13:42

A China ofereceu um empréstimo de 7,77 mil milhões de euros (10 mil milhões de dólares) para a Petrobras investir na exploração, no Brasil, escreve hoje o jornal Folha de São Paulo.
O empréstimo, segundo revelou o ministro das Minas e Energia do Brasil, Edison Lobão, em entrevista ao diário, pode ser utilizado na exploração das gigantescas reservas, descobertas recentemente em águas profundas, no litoral brasileiro.
O empréstimo chinês está a ser analisado, ao lado de outras alternativas, como a utilização de “parte das reservas externas” brasileiras de 154 mil milhões de euros (200 mil milhões de dólares) para garantir a exploração de petróleo.
Edison Lobão realçou que não vão faltar recursos para a exploração da chamada camada pré-sal pela Petrobras, cujo plano de investimentos para o período entre 2009 e 2012 será divulgado, no dia 19 de Dezembro.
O Brasil deverá igualmente modificar o modelo de exploração de petróleo, passando do actual sistema de concessão para o sistema de partilha, semelhante ao adoptado na Noruega, salientou o ministro.
No actual modelo, o petróleo descoberto pertence às empresas que controlam o bloco exploratório, com o pagamento de participações especiais e royalties ao Governo.
Já no modelo de partilha, mesmo sendo descoberto por uma empresa estatal ou privada, todo o petróleo pertence ao Estado que decide as condições de exploração.
O anúncio do novo modelo, com a provável criação de uma nova empresa estatal para administrar a exploração das gigantescas reservas, já foi adiado diversas vezes pelo Governo brasileiro.
As declarações do ministro surgem no momento em que especialistas colocam em dúvida a viabilidade económica de exploração do pré-sal.
Contribuem negativamente a quebra dos preços do petróleo, a crise internacional, com a consequente diminuição do consumo de energia, e a actual situação financeira da Petrobras.
Desde que as reservas gigantes foram descobertas, no ano passado, o preço do petróleo diminuiu de 146 dólares o barril para cerca de 45 dólares, limite para que a exploração do pré-sal seja viável.
Situadas em bacias sedimentares de 150 milhões de anos, numa profundidade média de 7.000 metros e numa extensão de 800 quilómetros, a exploração do pré-sal necessitará de imensos recursos, segundo especialistas. 
Outro dado que preocupa os analistas é a actual situação financeira da Petrobras, que há algumas semanas teve que recorrer a um empréstimo de emergência em bancos públicos brasileiros.
O empréstimo de dois mil milhões de reais (800 milhões de euros) junto à Caixa Económica Federal (CEF) fez com que parlamentares da oposição questionassem a eficiência administrativa da Petrobras.
A direcção da estatal, por seu turno, defendeu-se ao salientar que o empréstimo foi necessário diante da subida repentina de mais de 60 por cento do dólar em relação a moeda brasileira, nos últimos meses.
Desde o início de Outubro até a semana passada, com o agravamento da crise internacional, as acções da Petrobras, a maior empresa brasileira e 25ª maior no mundo, já caíram cerca de 40 por cento.
As reservas situadas no litoral brasileiro podem atingir até 80 mil milhões de barris de petróleo e gás, segundo estimativas da Agência Nacional do Petróleo (ANP), o regulador brasileiro do sector.
Caso seja confirmado o potencial de produção de 80 mil milhões de barris, o Brasil passaria a deter a sexta maior reserva mundial, atrás da Arábia Saudita, Irão, Iraque, Kuwait e Emirados Árabes Unidos.
Desde o início da exploração dessa região, a Petrobras e empresas estrangeiras já realizaram dezenas de perfurações, sendo que em todas foi encontrada a presença de petróleo ou de gás natural.
Dentre as recentes descobertas da Petrobras nas áreas abaixo da camada de sal, os campos de Júpiter, Tupi, Iara e Bem-te-vi são em parceria com a portuguesa Galp.

Açormédia, S.A. | Todos os direitos reservados

Este site utiliza cookies: ao navegar no site está a consentir a sua utilização.
Consulte os termos e condições de utilização e a política de privacidade do site do Açoriano Oriental.