Açoriano Oriental
Centro de Reabilitação Juvenil dos Açores tratou 14 utentes no primeiro mês

O Centro de Reabilitação Juvenil dos Açores, a funcionar há um mês em São Miguel, já tratou 14 jovens com problemas na área das dependências, utentes que cumpriram "um programa de desabituação com sucesso".


Autor: Lusa/AO Online

“Num mês tivemos 14 utentes internados que estiveram na unidade de desabituação e cumpriram um programa de desabituação com sucesso. Depois foram encaminhados para a sua área de residência, para a instituição que os acompanhava anteriormente ao internamento, e continuaram o seu processo de vida normal”, disse o diretor da Casa de Saúde de São Miguel, Paulo Braga, em declarações aos jornalistas.

O responsável falava após a inauguração do primeiro Centro de Reabilitação Juvenil dos Açores, com capacidade para 30 utentes, entre os 14 e os 24 anos, dos quais 20 em regime de comunidade terapêutica e 10 em regime de desabituação.

Este centro, instalado no designado Solar da Glória no Livramento, permite que os jovens entre os 14 e 24 anos, rapazes e raparigas, com comportamentos aditivos e necessidade de internamento o possam fazer nos Açores sem terem que ir para o continente.

O Instituto S. João de Deus – Casa de Saúde de São Miguel é o que irá gerir pelo prazo de três anos a estrutura de desabituação e reabilitação em regime de internamento, na sequência de um concurso público lançado pelo Governo Regional no final do ano passado.

“O processo de encaminhamento pode ser feito através das diferentes instituições que trabalham na área dos comportamentos aditivos e dependências e depois é feito um processo de triagem e avaliação da efetiva necessidade de internamento. Os processos são submetidos à Direção Regional das Dependências, que dá o aval final”, explicou Paulo Braga.

O diretor da Casa de Saúde de São Miguel sublinhou que "os principais desafios do trabalho" desta estrutura, onde trabalham atualmente cerca de 20 pessoas, "têm a ver com a faixa etária que é tratada, nomeadamente jovens entre os 14 e os 24 anos".

"São idades complicadas e com personalidades difíceis, muitos deles ainda não têm a maturidade suficiente para perceberem a necessidade deste tipo de intervenção. E essa é a nossa principal dificuldade, ou seja, trabalhar com eles e motivá-los para a necessidade de internamento", frisou ainda.

A secretária regional da Saúde do Governo dos Açores sublinhou a importância da estrutura para a região, destacando que “os utentes merecem estar perto das suas famílias para uma melhor integração” na comunidade.

“Esta estrutura está a funcionar há um mês. Os açorianos e as açorianas têm resposta para o que necessitam", salientou Teresa Machado Luciano aos jornalistas.

A titular da pasta da Saúde destacou ainda "os esforços que o Governo Regional tem feito no âmbito das dependências" e que "estão a dar os seus frutos", referindo que este trabalho "não passa só pelos centros de reabilitação, mas pela promoção e prevenção", para que os internamentos sejam cada vez menos no futuro.

"O centro tem 10 camas para desabituação, com um programa normal que quando é terminado os utentes poderão entrar num processo de 12 a 13 meses ou serem encaminhados para a comunidade consoante a avaliação dos técnicos uma equipa multidisciplinar", referiu Teresa Machado Luciano.

O novo centro tem uma abordagem biopsicossocial, com intervenção cognitivo-comportamental, e será servido também por uma equipa multidisciplinar.


 
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