Centro de Qualificação dos Açores inicia nova fase em instalações reabilitadas

Dois anos após o início das obras de reabilitação dos seus 16 edifícios, foi inaugurado ontem o Centro de Qualificação dos Açores, um investimento de 16,5 milhões de euros, dos quais 14,2 milhões de euros financiados pelo PRR. Há mais cinco cursos na oferta formativa da antiga Escola Profissional da Capelas



O Centro de Qualificação dos Açores (CQA), antiga Escola Profissional das Capelas, entrou numa nova fase com a inauguração das instalações totalmente reabilitadas. A infraestrutura, que foi renovada com financiamento do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR), assume-se agora como um “universo de qualificação dos Açores”, segundo José Manuel Bolieiro, presidente do Governo Regional dos Açores.
Durante a cerimónia de inauguração, o presidente do Conselho Diretivo do Centro de Qualificação dos Açores, Acir Meirelles, revelou que a instituição ultrapassou os objetivos inicialmente definidos para a certificação de formandos.
A meta estabelecida previa a emissão de dois mil certificados durante o ano de 2025. No entanto, segundo Meirelles, o Centro conseguiu duplicar esse número, alcançando cerca de quatro mil certificações.
O crescimento da procura reflete-se igualmente nas candidaturas para o próximo ano letivo. O Centro disponibiliza cem vagas para os cursos profissionais de longa duração, com três anos de formação, mas conta já com aproximadamente duzentos candidatos.
Acir Meirelles considera que este interesse demonstra o reconhecimento crescente da formação profissional, sublinhando que a empregabilidade dos diplomados ronda praticamente os 100%.
Segundo explicou, a maioria dos jovens termina o curso já com uma proposta de trabalho ou permanece nas empresas onde realizou a formação em contexto de trabalho. Apenas uma parte reduzida opta por prosseguir estudos no ensino superior.
Meirelles destacou que o CQA não funciona apenas como uma escola profissional tradicional. A instituição integra diferentes respostas de qualificação, disponibilizando cursos de alfabetização, percursos que permitem concluir o 9.º ano de escolaridade, processos de reconhecimento, validação e certificação de competências através da Rede Valorizar e cursos profissionais de nível IV e V.
Segundo Acir Meirelles, o objetivo é garantir que “qualquer açoriano encontre uma oportunidade de qualificação ou requalificação profissional”.

Taxa de abandono continua a preocupar
O Centro reconhece que existe ainda margem para melhorar no combate ao abandono da formação. A taxa situa-se atualmente na ordem dos 30%, embora Acir Meirelles tenha explicado que este valor não corresponde necessariamente ao abandono escolar definitivo.
Segundo afirmou, muitos formandos mudam de percurso durante a formação, transitando para outros cursos, ingressando no mercado de trabalho assim que atingem a maioridade ou optando pelo serviço militar. Ainda assim, Acir afirma que estão a “lutar para diminuir” esse valor.

Novos cursos respondem às necessidades das empresas
Nos 16 edifícios requalificados no CQA,  a oferta formativa vai ser reforçada já no próximo ano letivo com novos cursos em áreas consideradas prioritárias pela economia regional.
Entre as novidades encontram-se cursos de Modelação 3D aplicada à Construção Civil, Eletrónica, Manutenção Industrial, Mecânica Automóvel e Estética.
Acir Meirelles explicou que a criação destas formações resulta de um contacto permanente com as empresas açorianas, que identificam as necessidades de mão de obra especializada.
A ligação ao tecido empresarial constitui uma das principais características do CQA. Nos cursos profissionais, cerca de 1500 horas da formação decorrem diretamente em empresas, permitindo aos alunos adquirir experiência prática e facilitando a futura integração profissional.
A inauguração marcou igualmente o fim de um amplo processo de requalificação das instalações. Ao contrário de uma expansão física, o projeto incidiu na recuperação integral dos edifícios existentes, modernizando salas de formação, oficinas e laboratórios, sendo que as obras não fecharam a escola. Mesmo quando decorriam obras em dois terços da escola, houve aulas.
Entre os novos equipamentos destaca-se um laboratório dedicado à Indústria 5.0, apresentado como um espaço único no país para formação tecnológica avançada.

Qualificação das pessoas é o principal investimento para o futuro dos Açores
O presidente do executivo regional, José Manuel Bolieiro, classificou a requalificação como um investimento estratégico na qualificação das pessoas e no futuro económico da Região.
Segundo revelou, a intervenção representou um investimento global de cerca de 16,5 milhões de euros, dos quais 14,2 milhões foram assegurados através do Plano de Recuperação e Resiliência, sendo o restante financiado pelo Orçamento da Região Autónoma dos Açores.
José Manuel Bolieiro entende que o Centro representa um novo conceito de qualificação profissional, preparado para responder aos desafios da economia verde, da economia azul, da transformação digital, da robótica, da indústria tecnológica e da inovação empresarial.
“O principal ativo do futuro são as pessoas”, afirmou o presidente, defendendo que a aposta na formação constitui o maior investimento que a Região pode fazer para reforçar a competitividade da economia açoriana.
José Manuel Bolieiro sublinhou que a qualificação das pessoas constitui o principal investimento para o futuro da Região, defendendo que a modernização do Centro de Qualificação dos Açores permitirá responder aos desafios colocados pela inovação tecnológica, pela transição digital e pelas novas exigências do mercado de trabalho.
O líder do executivo regional considerou que a aposta na formação profissional é determinante para reforçar a competitividade da economia açoriana e criar melhores oportunidades para os jovens e adultos açorianos.
“É este o grande desafio que este universo de qualificação dos Açores propõe à nossa economia, aos nossos trabalhadores e aos nossos empresários: sucesso pela prosperidade em vez da sobrevivência fundada na subvenção pública. A capacidade de criação de riqueza e de autonomia empresarial e pessoal. Esta é a visão estratégica da governação na qualificação das pessoas”, salientou Bolieiro.
O presidente do executivo regional destacou ainda os “mínimos históricos” no desemprego alcançado nos Açores.

Espaços abertos a toda comunidade
Uma das novidades anunciadas passa pela abertura das oficinas tecnológicas a outras instituições. Acir Meirelles lançou um convite às escolas profissionais e à Universidade dos Açores para utilizarem os laboratórios e equipamentos sempre que necessitem, evitando a duplicação de investimentos públicos.
O presidente do Conselho Diretivo explicou que os espaços funcionarão igualmente como fab labs, permitindo que qualquer cidadão possa desenvolver projetos de empreendedorismo, testar protótipos ou criar novos produtos. A incubadora instalada no Centro pretende apoiar novas ideias empresariais e fomentar a inovação nos Açores. 


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