Açoriano Oriental
CDU reitera oposição à construção de incineradora em São Miguel

A CDU quer que os partidos assumam a sua posição quanto à construção de uma incineradora em São Miguel e reitera a sua oposição, adiantando que “a EDA não conta com a energia” gerada por esta estrutura.

CDU reitera oposição à construção de incineradora em São Miguel

Autor: Lusa/AO Online

No balanço da visita que fez aos Açores, a deputada do PEV na Assembleia da República Mariana Silva afirmou hoje, em Ponta Delgada, que, em termos ambientais, não compensa “o facto de se ter uma incineradora em São Miguel” quando “há uma na Terceira que pode ser utilizada e que está subutilizada”, considerando que, “por isso, é necessário repensar este projeto, num momento em que o prazo foi prorrogado”.

“A EDA [Eletricidade dos Açores] não conta com a energia que possa sair da incineradora, foi-nos dito ainda hoje de manhã, por isso, não faz qualquer sentido (…) a construção de uma incineradora na ilha de São Miguel visto que nem sequer há resíduos suficientes para alimentá-la”, reforçou Mariana Silva.

Também o cabeça de lista da CDU pelo círculo de São Miguel nas eleições legislativas regionais, Rui Teixeira, afirmou que “a maior parte dos partidos” que concorre por este círculo está a desviar-se “desta questão e não se pronunciou”, defendendo que “deve ficar claro, antes das eleições, quem é que quer construí-la e quem não quer construí-la”.

“Há por aí muitas intenções de construir a incineradora, que ainda não desapareceram, mas não descansaremos até desaparecerem”, prosseguiu.

O candidato referiu ainda que, na EDA, “com 49% de capitais que são privados, há uma parte dos lucros que vão para o capital privado”.

Assim, “a região fica impedida de utilizar aquele instrumento para o crescimento económico, para a dinamização social e para as famílias, nomeadamente, a questão da tarifa social [da eletricidade]”, mas também as micro, pequenas e médias empresas “ficam impedidas de ter algum benefício e a região fica vedada de ter esse poder de decidir essa linha política, essa linha económica”, adiantou Rui Teixeira.

Mariana Silva destacou igualmente, da sua visita, a necessidade de reforçar os vigilantes de natureza do Parque Natural da Ilha do Pico e alertaoupara a “pressão turística, que é preciso equilibrar”, neste local.

No Faial, onde visitou o Departamento de Oceanografia e Pescas da Universidade dos Açores, a parlamentar constatou que “a precariedade dos investigadores se mantém” mas que “tem de terminar”, caso contrário “não dá estabilidade nem aos projetos, nem à vida dos investigadores”.

As próximas eleições para o parlamento açoriano decorrem em 25 de outubro.

Nas anteriores legislativas açorianas, em 2016, o PS venceu com 46,4% dos votos, o que se traduziu em 30 mandatos no parlamento regional, contra 30,89% do segundo partido mais votado, o PSD, com 19 mandatos, e 7,1% do CDS-PP (quatro mandatos).

O BE, com 3,6%, obteve dois mandatos, a coligação PCP/PEV, com 2,6%, um, e o PPM, com 0,93% dos votos expressos, também um.

O PS governa a região há 24 anos, tendo sido antecedido pelo PSD, que liderou o executivo regional entre 1976 e 1996.

Vasco Cordeiro, líder do PS/Açores e presidente do Governo Regional desde as legislativas regionais de 2012, após a saída de Carlos César, que esteve 16 anos no poder, apresenta-se de novo a votos para tentar um terceiro e último mandato como chefe do executivo.


 
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