Saúde

Cancro do Cólon: Segunda causa de morte por tumor maligno em Portugal


 

Lusa / AO online   Nacional   3 de Nov de 2007, 10:30

No Dia Europeu de Luta Contra o Cancro do Cólon, que se assinala hoje, a Sociedade Portuguesa de Endoscopia Digestiva alerta para a elevada taxa de incidência da doença em Portugal, que mata nove portugueses diariamente.
    A Sociedade Portuguesa de Endoscopia Digestiva (SPED) realiza hoje, em Leiria, e em conjunto com o Hospital de Santo André, uma Feira de Saúde no centro da cidade que inclui um espaço de animação e um passeio pedestre organizado pela Federação de Atletismo da cidade com o objectivo de alertar a população para o cancro do colo-rectal (CCR).

    Já em colaboração com a Câmara Municipal de Odivelas, a SPED organiza uma conferência sobre a doença para informar sobre as causas e os métodos de prevenção, com a presença do secretário-geral da associação, José Eduardo Mendonça Santos.

    A SPED pretende, com este dois eventos, assinalar o dia europeu de luta contra o cancro do cólon, uma doença que, de acordo com as estatísticas mais recentes, mata nove portugueses por dia, sendo a segunda causa de morte por tumor maligno, depois do cancro do pulmão, estimando-se que cinco mil novos casos - dos quais 59 por cento mortais - sejam detectados todos os anos.

    No entanto, este é o tumor maligno mais susceptível de ser prevenido: mais de 90 por cento destes cancros têm origem em pólipos benignos que crescem e se desenvolvem no intestino durante 10/20 anos até se tornarem malignos, podendo a sua remoção atempada prevenir o CCR.

    Segundo o presidente da direcção da SPED, José Manuel Romãozinho, O CCR possui uma fase pré-clínica relativamente longa, durante a qual o cancro pode ser detectado num estádio precoce e curável.

    José Manuel Romãozinho acrescenta que desde os finais da década de 90, a SPED tem vindo a "alertar o Ministério da Saúde e o país para o flagelo que o CCR representa", bem como para a "melhor forma de o combater, ou seja, a instituição de um programa nacional de rastreio, incidindo sobre a população de risco padrão (indivíduos assintomáticos de idade igual ou superior a 50 anos e sem factores pessoais ou familiares favorecedores do desenvolvimento do tumor)".

    A SPED promoveu em meados deste ano um programa piloto de rastreio do CCR, mobilizando o apoio de empresas da área da saúde com vista à aquisição do material necessário, o qual foi gratuitamente distribuído por oito hospitais públicos de todo o país.

    José Manuel Romãozinho afirma ainda que "nos próximos quatro anos irão ser realizados naqueles hospitais mais de 10.000 a 15.000 exames de rastreio, fazendo uso da pansigmoidoscopia flexível (colonoscopia esquerda)".

    "Esta iniciativa foi uma maneira de combater o silêncio erguido pelo Ministério da Saúde relativamente à ausência do plano de rastreio, porque a população está altamente sensibilizada, mas falta a vontade política", explicou o presidente da associação.

    Desde o mês de Outubro que os Hospitais da Universidade de Coimbra utilizam um novo método de rastreio em Portugal: uma cápsula com câmaras integradas para examinar o cólon que o paciente ingere, evitando-se assim o desconforto que a colonoscopia tradicional provoca.

    De manhã, o doente ingere a cápsula endoscópica, que tem dimensões idênticas à de uma cápsula de vitaminas e está munida com duas câmaras que filmam o interior do intestino, captando ao longo do percurso cerca de 150 mil imagens.

    A cápsula, com custos que rondam os 1.500 euros, é fabricada em Israel e deverá começar a ser comercializada até ao final do ano, mas o presidente da SPED é da opinião que este é um processo ainda não validado para o rastreio, cujo "método mais eficaz continua a ser a colonoscopia".

    Não são conhecidas as causas exactas do cancro colo-rectal, mas segundo o presidente da SPED, existem determinados factores que podem contribuir para o aparecimento da doença, como "ter mais de 50 anos, alimentação pobre em vegetais, legumes, frutas e cereais, consumo excessivo de gorduras saturadas ou de álcool, obesidade, sedentarismo, presença de pólipos (pequenas massas de tecido) no intestino grosso e casos de doença em familiares próximos".

    Entre os sintomas mais frequentes desta doença encontram-se a alteração dos hábitos intestinais, a presença de sangue nas fezes, a perda de peso inexplicada, o cansaço constante e o aparecimento de náuseas e vómitos.

    De acordo com os especialistas, Portugal acompanha a tendência europeia, que revela uma subida acentuada no número de mortes por cancro do cólon ao longo dos últimos anos, sendo a República Checa e Polónia os países da Europa onde há maior prevalência desta doença.
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