Câmara da Horta vende parques de campismo a empresa municipal para obter receita

Câmara da Horta vende parques de campismo a empresa municipal para obter receita

 

Lusa/AO Online   Regional   17 de Nov de 2011, 10:26

A empresa municipal Hortaludus, no Faial, Açores, vai pedir um empréstimo de 600 mil euros para comprar dois parques de campismo à Câmara da Horta, numa operação contabilística que permitirá à Câmara arrecadar uma receita extraordinária.

Esta operação, aprovada na reunião de quarta-feira do executivo municipal com os votos a favor do PS e contra do PSD, visa a aquisição dos parques de campismo da Praia do Almoxarife e do Varadouro.

O presidente da Câmara da Horta, João Castro (PS), salientou que a compra dos parques de campismo é uma forma de garantir mais “transparência” nas contas da Hortaludus, empresa que tem o município como único acionista e prevê realizar alguns investimentos naqueles espaços.

“Os parques de campismo poderão ser um fator importante na melhoria e diversificação dos serviços prestados e, consequentemente, no aumento das receitas”, afirmou o autarca socialista, para quem esta solução representa também uma forma de “criar transparência” na gestão destes equipamentos.

No final da reunião do executivo municipal João Castro admitiu que a autarquia possa vir a vender também outros equipamentos atualmente geridos pela Hortaludus, como a Piscina Municipal, o Centro Hípico e o Teatro Faialense.

“Esse cenário pode acontecer, desde que se verifique disponibilidade financeira das instituições bancárias para acederem, o que cada vez se torna mais difícil”.

João Castro frisou que este tipo de operação “é um mecanismo legal”, apesar de reconhecer que, face à situação financeira do país, seja “cada vez mais difícil de implementar”.

A operação recebeu os votos contra dos vereadores do PSD na autarquia, para quem se trata de um “esquema” pouco transparente da autarquia para se financiar a si própria.

“Os vereadores do PSD estranham esta operação, porque se trata de uma operação de geração de dívida, sem qualquer geração de valor, que vai aumentar o grau de endividamento da empresa municipal, que se vai refletir no final do ano no endividamento da Câmara Municipal”, afirmou o vereador social-democrata Fernando Guerra.

O autarca frisou que a Câmara da Horta está próxima do seu limite de endividamento, recordando que, em algumas rubricas, “já necessita de autorização do Ministério das Finanças”.

Nesse sentido, defendeu que a autarquia não devia recorrer a “subterfúgios” para gerar receitas, embora reconheça que se trata de um “procedimento legal”.

A Câmara da Horta vai arrecadar 600 mil euros na operação de venda dos dois parques de campismo à Hortaludus, mas terá de transferir no próximo ano, a título de subsídio à exploração, quase 474 mil euros para a empresa municipal, destinados ao pagamento de salários e custos de exploração.

A Hortaludus é uma das duas empresas municipais do concelho da Horta e foi criada para gerir equipamentos desportivos e de lazer, como o Teatro Faialense, a Piscina Municipal, o Centro Hípico do Capelo e os Parques de Campismo da Praia do Almoxarife do Varadouro.


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