Bispos pedem ordenação de homens casados como sacerdotes para a Amazónia

Bispos pedem ordenação de homens casados como sacerdotes para a Amazónia

 

AO Online/ Lusa   Internacional   27 de Out de 2019, 16:45

Bispos católicos pediram este domingo a ordenação de homens casados como sacerdotes, uma solução para enfrentar a escassez de clérigos na Amazónia, uma proposta histórica que pode pôr fim a séculos de tradição católica romana.

A maioria dos 180 bispos de nove países da Amazónia pediu também ao Vaticano para reabrir um debate sobre a ordenação de mulheres como diáconos, sustentando que “é urgente que a Igreja promova e confira na Amazónia ministérios para homens e mulheres de maneira equitativa”, de acordo com o documento final, citado pela agência Associated Press.

As propostas foram inscritas no documento final aprovado hoje, no final de um sínodo de três semanas sobre a Amazónia, que o Papa Francisco convocou em 2017 com o objetivo de chamar a atenção para as ameaças à floresta tropical, mas também de melhorar o sacerdócio junto dos povos indígenas.

A Igreja Católica, que abarca quase duas dezenas de ritos diferentes, permite já sacerdotes casados nas igrejas de rito oriental e em casos em que os sacerdotes anglicanos previamente casados se convertem à Igreja. Se Francisco aceitar a proposta desde sínodo, porém, será o início de uma nova era para a Igreja Católica de rito latino após mais de um milénio.

As propostas adotadas hoje pedem também a elaboração de um novo "rito amazónico", que reflita a espiritualidade, as culturas e as necessidades únicas dos fiéis daquela região.

Francisco disse aos bispos no final da votação que reabrirá os trabalhos de uma comissão que estudou em 2016 a questão das mulheres diáconos. Disse também que prevê adotar as recomendações gerais dos bispos e preparar um documento próprio antes do final do ano.

Alguns porta-vozes da Igreja mais conservadores e tradicionalistas têm advertido que qualquer abertura papal a sacerdotes casados ou mulheres diáconos conduzirá a Igreja à ruína, acusando os organizadores do sínodo e o próprio Papa de heresia por considerar a flexibilidade no celibato sacerdotal obrigatório.

A expressão desta “indignação” assumiu esta semana a forma de um roubo de três estátuas indígenas com uma mulher grávida nua de uma igreja no périplo do Vaticano entretanto atiradas para o rio Tibre.

As estátuas, que os conservadores diziam serem ídolos pagãos, foram recuperadas incólumes pela polícia italiana. Uma destas estátuas estava hoje em exposição, quando os bispos do Sínodo votaram o documento final, aprovado parágrafo a parágrafo com uma maioria necessária de dois terços.

As propostas mais controversas no Sínodo diziam respeito à permissão de homens casados serem ordenados sacerdotes, uma forma de resolver a escassez de sacerdotes na região, que faz com que algumas comunidades da Amazónia mais isoladas passem meses sem uma missa.

O parágrafo com a proposta foi o mais contestado na votação, mas recebeu, ainda assim, a maioria necessária de 128 a favor contra 41 rejeições.



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