Binter e Icelandair mostram interesse na privatização da Azores Airlines

Presidente do Grupo SATA, Tiago Santos, revelou que recebeu “seis a oito” manifestações de interesse no processo de venda direta que vai arrancar em breve. Entre os potenciais investidores estão a Binter e a Icelandair



A Azores Airlines já atraiu entre “seis a oito interessados” no novo processo de venda direta, revelou o presidente do Grupo SATA, Tiago Santos, ao Jornal de Negócios. Apesar de o processo ainda não ter arrancado oficialmente, já existem várias “manifestações de interesse informais” por parte de investidores internacionais. “Já recebemos o contacto de seis a oito interessados”, afirmou o gestor, acrescentando que “já fomos abordados por um conjunto de investidores que enviaram e-mails de forma proativa”.

Entre os interessados destacam-se a Binter e a Icelandair. Tiago Santos confirmou que “houve conversas com a Binter e a Icelandair” para apresentar o trabalho desenvolvido pela companhia no último ano e perceber o interesse de cada grupo na operação. Segundo o responsável, a administração está agora “a obter vários feedbacks dos interessados”.

Segundo o Jornal de Negócios, o interesse da Binter já tinha sido avançado pela imprensa internacional no final de 2025. A companhia das Canárias vê a Azores Airlines como uma oportunidade estratégica para criar um “hub” no Atlântico, aproveitando as ligações aos Estados Unidos e Canadá. Já a Icelandair participou no processo de privatização de 2018, entretanto cancelado após a divulgação de documentos confidenciais.

Tiago Santos considera que estas aproximações ajudam a identificar “os investidores certos” para o futuro da companhia. “Estamos a identificar os investidores certos, com base no potencial para fazer ‘match’ com o ativo Azores Airlines”, afirmou.

Também o secretário regional das Finanças, Planeamento e Administração Pública, Duarte Freitas, confirmou ao Jornal de Negócios que “vários potenciais interessados na Azores Airlines contactaram diversos membros do Governo Regional”.

O responsável pela tutela das Finanças explicou, contudo, que todos os contactos estão agora a ser encaminhados para o conselho de administração da SATA, responsável por liderar o processo.

Recorde-se que a nova privatização surge após o encerramento do concurso público anterior, no qual o consórcio Atlantic Connect Group ofereceu 17 milhões de euros por 85% da companhia. O processo acabou por ser cancelado e o Governo Regional optou agora por uma negociação particular.

O novo processo deverá arrancar ainda neste mês e estará “aberto a todos”, não ficando limitado apenas a companhias aéreas. Ainda ao Negócios, segundo Tiago Santos, o modelo vai incorporar “lições do passado” e garantir maior transparência desde o início. “Não temos tempo, nesta fase, para surpresas negativas”, afirmou.

Uma das principais preocupações prende-se com a dívida do grupo, estimada em cerca de 400 milhões de euros. Ainda assim, tanto Tiago Santos como Duarte Freitas garantem que o passivo ficará na holding do Grupo SATA. “O passivo fica na holding. A Azores [Airlines] vai ser vendida limpa”, assegurou o secretário regional das Finanças, Planeamento e Administração Pública.

O processo deverá decorrer em três fases: manifestação de interesse, propostas não vinculativas e propostas vinculativas. A venda prevê a alienação de “pelo menos 51%” da companhia, embora a administração admita recomendar uma participação superior a 75%, permitindo maior liberdade estratégica ao futuro investidor. “Temos de ver quantas fases conseguimos fazer antes do verão - este é o desafio”, realçou ao Jornal de Negócios.

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