“Deixa-nos obviamente expectantes pelo anúncio público destes nomes e com a ideia de que serão propostas firmes e com um interesse efetivo, porque senão não eram anunciados desta forma. Queremos acreditar que desta vez as coisas possam chegar a bom porto, apesar do tempo extremamente curto”, afirmou, em declarações à Lusa, o presidente da CCIAH, Marcos Couto.
O representante dos empresários das ilhas Terceira, São Jorge e Graciosa, nos Açores, falava em reação às declarações do presidente do conselho de administração da SATA, Tiago Santos, numa entrevista publicada esta quinta-feira pelo Jornal de Negócios. Na entrevista, Tiago Santos disse que previa entregar o novo caderno de encargos ao Governo Regional dos Açores na próxima semana.
O presidente da CCIAH lembrou, no entanto, que o processo tem de estar concluído até 31 de dezembro, alegando que o grupo SATA tem praticamente seis meses para privatizar a companhia aérea que assegura as ligações para o exterior do arquipélago.
“Fico preocupado que só tenhamos seis meses para finalizar o processo, quando a TAP já está há muito mais tempo a fazer um processo de venda direta. Portanto, vamos querer fazer em seis meses o que a TAP está a levar mais de um ano a fazer”, apontou.
Na entrevista ao Jornal de Negócios, o presidente do conselho de administração da SATA revelou que existiam “seis a oito interessados” na privatização da Azores Airlines, dando como exemplo as companhias Binter, das Canárias, e Icelandair, da Islândia.
Para Marcos Couto, não é relevante o número de interessados, mas a qualidade dos nomes indicados.
“Temos de nos lembrar que no processo anterior também foram anunciados 30 interessados, depois eram dois e acabou em um”, referiu.
O presidente da CCIAH referiu que a Binter já tinha manifestado interesse em adquirir 20% da Azores Airlines e que os responsáveis da Icelandair se deslocaram aos Açores, quando decorria o anterior processo de privatização.
No entanto, ressalvou que não foram estas companhias a divulgar o interesse no novo processo de privatização da companhia açoriana, ao contrário do que aconteceu, por exemplo, com os grupos interessados na aquisição do capital social da TAP.
“Para ser dado o nome de uma empresa que é cotada em bolsa, em Espanha, como a Binter, e ser colocado cá fora o nome desta forma, é porque, com certeza, estará muito sólida a proposta”, afirmou.
Quanto ao facto de Tiago Santos ter dito que o novo caderno de encargos terá maior clareza do que no passado, relativamente à dívida e aos recursos humanos, o presidente da associação empresarial disse que a falta de clareza, agora admitida, pode ter “dificultado o próprio processo negocial e o sucesso da operação anterior”.
Marcos Couto considerou que é “inquestionável” que a SATA tem de vender a Azores Airlines, acrescentando que a empresa devia ter recorrido à negociação direta desde o início, como a TAP.
“É essencial para o equilíbrio financeiro da região que a companhia seja vendida. Sempre referimos que liquidação da empresa terá um impacto que não desejamos nas contas públicas regionais. Portanto, queremos acreditar que desta vez, com um processo que nos parece muito mais ajustado, se consiga vender a companhia”, frisou.
Em março de 2023, foi lançado um concurso para a privatização de 51 a 85% do capital social da Azores Airlines, na sequência de um acordo com a Comissão Europeia, que aprovou, em junho de 2022, uma ajuda estatal à reestruturação da companhia aérea de 453,25 milhões de euros.
Três anos depois, o Governo Regional dos Açores decidiu encerrar a privatização da Azores Airlines sem adjudicação, seguindo a recomendação do júri, que concluiu que única proposta admitida implicava “riscos inaceitáveis”, um acordo parassocial que permitia reduzir a participação pública e uma equipa menos experiente na aviação.
O prazo limite para a privatização da Azores Airlines era 31 de dezembro de 2025, mas a Comissão Europeia aceitou um pedido de prorrogação por um ano.
