A comissária da PDL26 - Ponta Delgada Capital Portuguesa da Cultura, Katia Guerreiro, salientou o contributo das entidades públicas e privadas para esta organização.
Mas não deixou de alertar: “é preciso investir na cultura e este trabalho não deveria ser interrompido. Esta é uma grande oportunidade para o território, porque com cultura iremos chegar a outros lugares. E através da cultura, estamos a potenciar todas as oportunidades que este território tem”.
Katia Guerreiro falava em Ponta Delgada, durante o Encontro Fora da Caixa, organizado pela Caixa Geral de Depósitos e que decorreu no Grand Hotel Açores Atlântico.
Durante a sua intervenção num painel precisamente dedicado à PDL26, Katia Guerreiro afirmou que “os Açores são um terreno fértil para que a cultura que não acontece aqui queira vir aqui”.
Isto apesar de produzir um espetáculo nos Açores - para onde se tem de ir com antecedência, com transporte de carga e com deslocações de avião - custar “quatro vezes mais” do que produzir um espetáculo no continente - com deslocações no próprio dia e em veículo automóvel.
“Mas a verdade é que ninguém recusa vir cá e todos são sensíveis ao facto de custar quatro vezes mais, pelo que temos de aproveitar esta oportunidade”, afirmou Katia Guerreiro, para quem “a PDL26 nunca quis ser só um ano de programação cultural, quis ir para além disso”.
E conforme afirmou a comissária da PDL26, “quisemos trabalhar para que fique aqui uma semente para o futuro que, quando se apagarem as luzes deste ano, irá permanecer”. E o que irá permanecer? Para Katia Guerreiro, irá permanecer a capacitação dos artistas locais e a capacitação das entidades educativas, “porque temos estado a trabalhar com as escolas e com os mais jovens”.
Katia Guerreiro deu o exemplo do Teatro Nacional D. Maria II, em Lisboa, que veio a Ponta Delgada em dois momentos da programação da PDL26 apresentar dois espetáculos para a infância. “E estes dois espetáculos culminaram com uma semana de formação para educadores/as de infância, no sentido deles/as próprios/as poderem desenvolver projetos desta natureza, criando uma rede de contacto permanente”.
Por isso ,e para Katia Guerreiro,os públicos, sobretudo os mais jovens, que se estimularam com a PDL26, têm condições de poderem vir a ser “agentes diferenciadores”, caso este processo não termine com o final do ano de 2026.
Também interveniente no Encontro, o presidente do Governo Regional dos Açores, José Manuel Bolieiro, lembrou a intervenção que teve em 2015, então como presidente da Câmara de Ponta Delgada, “de estímulo” ao processo de candidatura de Ponta Delgada a Capital Europeia da Cultura, candidatura que acabou por resultar na Capital Portuguesa da Cultura 2026, afirmando-se igualmente “um entusiasta da dinâmica que a cultura representa para o desenvolvimento de uma comunidade”.
