Governo francês condena "atos de violência" de estudantes contra a polícia

O ministro do Interior francês, Laurent Nuñez, condenou os "atos de violência" de estudantes contra a polícia, enquanto elogiou a atuação das forças de segurança



"Condeno veementemente os atos de violência de que foram alvo vários polícias e gendarmes, como, por exemplo, em Paris, onde pedaços de chaminés foram atirados dos telhados na direção das forças de segurança. Foi aberta uma investigação", anunciou, na rede social X.

O episódio terá acontecido na quinta-feira, durante uma manifestação em Paris, quando um grupo de jovens foi filmado num telhado de um edifício. 

O ministro elogiou o "empenho" das forças de segurança "que, em todo o território nacional, atuaram para garantir a segurança das manifestações autorizadas, pôr fim com rapidez aos distúrbios e manter a ordem pública".

Segundo o Ministério da Justiça francês, 6.877 pessoas foram detidas desde o início dos protestos estudantis em França, há cerca de duas semanas, das quais 86% são menores de idade. 

Até agora, foram instaurados processos judiciais contra 2.376 pessoas, e 21 ficaram em prisão preventiva, seis das quais menores, precisou hoje em comunicado.

Isto exclui os detidos durante a manifestação de quinta-feira, quando foram registados confrontos entre alguns estudantes e as forças policiais, que responderam com o uso de gás lacrimogéneo e um canhão de água. 

Esta manhã, a comunicação social francesa deu conta da abertura de uma investigação pela Inspeção Geral da Polícia Nacional na sequência de um incidente na quinta-feira.

Num vídeo vê-se um jovem a ser agredido violentamente com um joelho na cara por um agente do corpo de intervenção, causando sangue.

Uma porta-voz afirmou hoje que o Alto Comissariado da ONU para os Direitos Humanos acompanha com "preocupação" as manifestações dos alunos do ensino secundário em França e apelou para o uso "proporcional" da força pelas autoridades.

Centenas de estudantes e polícias foram feridos desde o início dos protestos, tendo alguns incidentes desencadeado investigações internas pela entidade que supervisiona a atividade policial.

Em Tours, um aluno do ensino secundário de 16 anos perdeu a visão de um olho durante um bloqueio a uma escola na semana passada, e outro adolescente de 15 anos perdeu a mão devido a uma granada de atordoamento disparada pela polícia em Lens na segunda-feira.

Noutro incidente, um aluno de 14 anos ficou com o maxilar partido na região de Paris.

Pelo lado dos estudantes, foram registados vários atos de vandalismo, como incêndios e outros estragos em estabelecimentos escolares. 

Os alunos do ensino secundário francês iniciaram em meados de setembro protestos contra instalações degradadas, turmas sobrelotadas, a insuficiência de professores e a falta de vagas nas universidades.

O desagrado começou nos liceus, onde jovens entre os 15 e 18 anos completam os últimos três anos de ensino secundário, mas alastrou às universidades e recebeu o apoio de organizações de professores.  

Hoje, 141 escolas continuavam encerradas, segundo um balanço do Ministério da Educação francês esta manhã, menos de 4% dos 3.700 liceus franceses.

Organizações sindicais de estudantes e estudantes convocaram novos protestos e greves para terça-feira, dia 13 de outubro.


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