A Universidade dos Açores acolheu, esta sexta-feira, na Aula Magna, a exposição das propostas iniciais da missão de estudo internacional dedicada às antigas fábricas da SINAGA: a do álcool, na Lagoa, e a do açúcar, em Ponta Delgada. A parceria une a Universidade dos Açores, a Secção Regional dos Açores da Ordem dos Arquitetos e a McEwen School of Architecture (MSoA), da Laurentian University, no Canadá.
Isabel Soares, representante da CHAM-Açores e da UAç.Artes, descreve a missão como “uma troca de perspetivas e uma relação com os nossos alunos”. A docente refere que os estudantes canadianos “já manifestaram esse regozijo, esse interesse, até espanto por aquilo que encontraram”.
Louis-Pierre Bélec, professor na Laurentian University, com raízes na ilha Graciosa, explica que a escolha de São Miguel resultou da publicação dos relatórios da Ordem dos Arquitetos e do Governo Regional sobre a disponibilidade dos edifícios para reabilitação. A instituição canadiana, focada na sustentabilidade e na construção em madeira, quer perceber como “dar continuidade à utilização dos espaços e integrá-los no tecido urbano”, seja para habitação ou para fins museológicos.
Para dar resposta à escala dos edifícios, o grupo usou tecnologia LiDAR, que mede distâncias através de laser para criar mapas tridimensionais, e câmaras 360º para mapear os espaços sem acesso direto. “É uma maneira de facilitar a preparação, mas não vai substituir a visita”, afirma o professor. O grupo pesquisou também literatura e cinematografia locais, como o filme açoriano “Lobo e Cão”.
Melissa Favas, estudante participante, destaca a ligação das fábricas à comunidade. “A comunidade à volta dependia muito da fábrica. Até criaram uma área residencial para eles viverem”, diz. A estudante aponta o Canadá como referência, com a Evergreen Brick Works, antiga fábrica de tijolos transformada num “oásis verde”.
A missão de estudo surge na sequência de um grupo de trabalho criado pela Ordem dos Arquitetos em janeiro de 2026. O projeto teve apoio documental da Ordem e autorização da Secretaria Regional das Finanças, que detém os imóveis.
Nuno Costa, da Secção Regional dos Açores da Ordem dos Arquitetos, explica que “é um contributo que irá ficar à disposição das Câmaras Municipais, das várias entidades envolvidas e da própria Secretaria das Finanças”. O arquiteto alerta que “uma coisa que é fundamental no património é que ele tenha uso, caso contrário, deixa de exercer qualquer função na comunidade”.
O Governo Regional está a desenvolver estudos económicos para consolidar o trabalho de reabilitação. Os estudantes canadianos têm até dezembro para entregar os projetos finais. Para Louis-Pierre Bélec, o objetivo não é apresentar “soluções fechadas”, mas apontar “oportunidades e potenciais para ambos os sítios” e “entusiasmar as pessoas e demonstrar que estes edifícios têm mais vida”.
