Banco Central Europeu espera recessão em 2009


 

Lusa/AO Online   Economia   4 de Dez de 2008, 15:54

O Banco Central Europeu (BCE) previu hoje uma contracção na economia da zona euro pela primeira vez desde 1993, após o banco ter anunciado a maior descida das taxas de juro na sua história.

   Segundo as novas projecções hoje divulgadas pelo presidente da instituição, Jean-Claude Trichet, em 2009 vai registar-se uma contracção de 0,5 por cento em média do Produto Interno Bruto (PIB) da zona euro.

    Para 2008, o BCE reviu em baixa a sua previsão e aponta agora para um aumento de um por cento do PIB, contra estimativas de 1,4 por cento há três meses.

    As pressões inflacionistas vão também registar uma diminuição nítida, segundo Trichet. Para 2009, o BCE prevê em média uma subida de 1,4 por cento dos preços no consumidor, após 3,3 por cento este ano.

    "A procura global e na zona euro deverá ser fraca por um período prolongado de tempo", declarou Trichet na conferência de imprensa após o anúncio de um corte de 75 pontos base para 2,50 por cento na principal taxa directora do BCE.

    É o maior corte decidido pela instituição desde o início do euro, em 1999.

    A decisão foi tomada "por consenso", segundo Trichet, o que sugere um debate aceso no seio do conselho dos governadores do BCE. Vários governadores tinham feito declarações deixando antever ser antes partidários de uma redução de meio ponto.

    "Isto representa uma baixa de 1,75 pontos de percentagem em dois meses, algo que também nunca tínhamos feito antes", frisou Trichet.

    A 08 de Outubro, o BCE baixou a sua principal taxa de referência, que determina as condições de crédito na zona euro, numa acção concertada com bancos centrais de todo o mundo.

    A crise financeira faz pesar sobre a economia incertezas "excepcionalmente elevadas", disse ainda Jean-Claude Trichet, acrescentando que a turbulência ainda não terminou.

    Comentando o recuo da inflação, Trichet sublinhou que o fenómeno não significa que a zona euro tenha entrado "num período que possa ser assemelhado a uma deflação", uma baixa generalizada e prolongada dos preços.

    No que respeita a próximas decisões do BCE, Trichet recusou-se a dar qualquer indicação. "Para Janeiro não direi nada", respondeu aos jornalistas que lhe perguntavam se os mercados tinham razão de antecipar mais uma baixa de meio ponto em Janeiro.

    O BCE reduziu fortemente as suas taxas nos últimos dois meses. "Temos de ver o que se vai passar", disse o presidente do BCE.

    O presidente do BCE voltou a insistir na necessidade do respeito do Pacto de Estabilidade e Crescimento, que obriga os Estados membros da zona euro à disciplina orçamental.

    "É muito importante que exista um enquadramento ao nível da União Europeia", afirmou Trichet, defendendo a "aplicação da flexibilidade que este enquadramento permite".


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