Porto Espacial de Santa Maria espera criar 35 postos de trabalho qualificados fixos

A Atlantic Spaceport Consortium fez uma sessão de esclarecimento à população de Vila do Porto, onde apresentou o previsível impacto ambiental na ilha, comparando com outras infraestruturas, como o aeroporto e o porto comercial



A Atlantic Spaceport Consortium (ASC) estima que o Porto Espacial da Malbusca gere 35 postos de trabalho qualificados fixos na ilha de Santa Maria, número que pode triplicar a cada lançamento de foguetão. Este foi um dos pontos abordados na sessão de esclarecimento promovida pela empresa responsável pela gestão da infraestrutura, perante uma plateia de marienses interessados em tirar as dúvidas sobre o projeto.

Começando pelo impacto económico e social, a ASC perspetivou a criação de 35 postos de trabalho fixos, mais do dobro dos resultantes da instalação do Teleporto (15), mas inferiores aos da NAV (180) e Câmara Municipal de Vila do Porto (361). Isto numa ilha com 2324 pessoas em idade ativa, com desemprego de 3,8% (86 pessoas).
“Dos 35 postos de trabalho diretos a maior parte serão mais qualificados, mas em áreas diversas (por exemplo, engenharia, ambiente, etc.)”, explica Bruno Carvalho, presidente da ASC, ao Açoriano Oriental.

Por ser uma operação tão específica, a ASC terá de formar colaboradores, encontrando-se agora a contratar fora do país. “A nossa segunda contratação, a Mara Pourré, veio do Centro Espacial da Guiana Francesa, e mudou-se para a ilha no verão passado com o marido e os filhos (já aumentámos a população da ilha em quatro pessoas). A nossa terceira contratação é mariense, que regressou à ilha depois de estudar no Porto e trabalhar no continente”, acrescenta.

Além dos postos fixos, cada lançamento de foguetão - que será feito em direção ao mar, ou seja, para sul - trará uma população móvel na ordem das 70 pessoas, perfazendo um total de 100 trabalhadores, durante duas a seis semanas na ilha.

“Se conseguirmos atingir os 15 a 20 lançamentos por ano (previsto apenas a partir de 2030) e continuar a prestar suporte a outras atividades espaciais na ilha, contamos faturar cerca de 10 milhões de euros anualmente, e todos os impostos são pagos na região uma vez que estamos incorporados em Vila do Porto”, assinala.

Bruno Carvalho diz que estão também a recrutar na ilha, registando muito interesse por parte da população, “sobretudo jovens”, pretendendo chegar ao verão com uma equipa de 15 elementos. O impacto económico na ilha vai mais além, pois há diversos serviços que a ASC irá precisar.

Sobre o impacto ambiental: a ASC abordou aspetos como vibração, ruído e poluição gerada pelo Porto Espacial e pelos lançamentos dos foguetões. Ao nível da poluição, os dados apresentados pela empresa comparam o lançamento de dois tipos de foguetões - o SpaceForest e o INNOSPACE - com outras atividades que existem na ilha de Santa Maria, como a viagem, aterragem, descolagem e posterior viagem de regresso de um A320neo, da Azores Airlines, entre a ilha e Lisboa; ou o movimento e atracagem do navio Furnas entre a Vila do Porto e Lisboa.

“A aterragem e descolagem do A320neo da SATA é equivalente a dois voos do PERUN. Uma hora do Furnas no Porto de Vila do Porto emite o equivalente a um voo completo do PERUN, sendo que devemos notar ainda que os navios consomem combustível muito mais poluente do que os que estão considerados para os veículos a lançar de Santa Maria. Qualquer veículo lançado de Santa Maria terá um período muito curto de descolagem, o que minimiza o impacto na ilha”, refere Bruno Carvalho.

Quanto à vibração da terra, a ASC estima que o Porto Espacial da Malbusca tenha um impacto superior ao sentido no golo do guarda-redes ucraniano do Benfica, no jogo contra o Real Madrid (registado pelos sismógrafos), mas metade do verificado no concerto da cantora norte-americana Taylor Swift, em Lisboa, menos de um terço da atividade sísmica da ilha Terceira; e um quarto do terramoto sentido em fevereiro deste ano, em Lisboa. E no caso da duração da vibração, é a menor (5 segundos) dos exemplos utilizados.

Quanto ao ruído provocado pelo lançamento de um foguetão no Porto Espacial está calculado nos 110 decibéis (dB), mais de um concerto de rock (105 dB) e à descolagem de um A320neo (95 dB), mas inferior à descolagem de um Concorde (115 dB) e a fogo de artifício (130 dB). E destes cinco cenários, é o que a menor duração (30 segundos).

A apresentação também abordou os riscos para a natureza e para a fauna, assinalando que o recenseamento das espécies protegidas fica afastada da zona da Malbusca, pelo que o impacto será reduzido.

No final da concorrida sessão de esclarecimento, Bruno Carvalho acredita que algumas das preocupações foram esclarecidas. “Ficámos agradados com o interesse, e sentimos que temos obrigação de manter a população informada”.

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