Farmacêutica

Baixas nos preços de genéricos e análises clínicas podem levar a despedimentos


 

Lusa/AO online   Economia   14 de Ago de 2008, 18:50

O despedimento de 3.000 pessoas é a consequência admitida pela Ordem dos Farmacêuticos (OF) devido à decisão “unilateral” do Governo de baixar em 30 por cento o preço dos medicamentos genéricos.

   
Em declarações à Agência Lusa, João Mendonça, da Direcção Nacional da OF referiu que a diminuição de preços pode ditar contenção de despesas para que as empresas do sector - farmácia, indústria e distribuição - mantenham a sua viabilidade económica.

    A OF refere como hipótese a redução do quadro de pessoal, especialmente à custa dos “profissionais mais qualificados e por isso mais caros” e consequentemente dos “serviços prestados à população”.

    Segundo as suas estimativas, poderão ser dispensados uma pessoa em cada uma das cerca de três mil farmácias portuguesas.

    Para João Mendonça, a redução pode tornar o mercado “desinteressante” para as empresas do sector dos genéricos.

    O mesmo responsável admite que em situações de preços excessivos, o Estado deve “fazer valer os seus direitos” e reduzir os valores.

    “Deve haver uma avaliação caso a caso e não uma diminuição de modo cego numa gama de um determinado produto para o equilíbrio do Orçamento de Estado”, argumentou.

    A anunciada baixa de 20 por cento no valor pago por análises clínicas a realizar por laboratórios privados convencionados com o Estado poderá originar uma “situação ainda mais dramática”, acrescentou o dirigente da OF.

    É colocada a hipótese de encerramento de vários laboratórios e postos de colheita, “colocando em causa a cobertura actualmente em vigor”.

    Dos cerca de 11 mil farmacêuticos portugueses, mais de dois terços exercem a profissão em farmácia comunitária (6.390) e em laboratórios de análises clínicas (1.444).

    “Estes números poderão diminuir drasticamente caso se verifiquem despedimentos ou mesmo o encerramento de algumas destas unidades”, alertou a OF.

    Para a Ordem, o Ministério da Saúde pretende controlar as contas “sem reduzir despesas no próprio orçamento, mas à custa dos privados”.

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