Os municípios de Ponta Delgada, Ribeira Grande e Povoação, na ilha de São Miguel, e o da Horta, na ilha do Faial, em cujos concelhos há vulcões que podem entrar em actividade, informaram o vulcanólogo que se enganou nas suas conclusões. E isto porque, alegam, os seus planos municipais de emergência são periodicamente actualizados e testados no terreno, para combater os efeitos de eventuais sismos ou erupções. Victor Forjaz, recorde-se, admitiu que os municípios açorianos têm planos de emergência feitos de acordo com a lei, mas acusou-os de agirem de uma forma “passiva e miserabilista”, por “só fazerem ensaios sísmicos e não vulcanológicos”, contribuindo assim para que a população não se encontre devidamente informada sobre como agir no dia em que um vulcão entrar novamente em actividade.
No caso do concelho de Ponta Delgada, que é a área de abrangência do vulcão das Sete Cidades, a resposta camarária não se fez esperar: “O Plano Municipal de Emergência não é um plano de gaveta e abrange os procedimentos a ter em conta antes, durante e depois das emergências e agrega todos os aspectos geográficos, sociais e económicos do concelho”. A autarquia chefiada por Berta Cabral clarifica que trabalha em articulação com os bombeiros e forças de segurança na intervenção em cenários de tragédias naturais e as provocadas pelo homem, servindo-se de todos os recursos humanos e técnicos disponíveis. A Câmara Municipal da Ribeira Grande alinhou pelo mesmo diapasão. O seu presidente reconhece que “é muito fácil emitir opiniões sem se saber o que é que as autarquias estão a fazer” nesse domínio. Ricardo Silva começa por lembrar que há um sistema regional que monitoriza e acompanha as situações de risco geológico nos Açores (o SIVISA), as quais, no caso dos vulcões, “não se manifestam de um dia para o outro”, o que significa que as “populações estarão sempre salvaguardadas”. Na Ribeira Grande, onde se situa o Vulcão do Fogo, o autarca não quer sequer ouvir falar em passividade ou inacção: “Fazemos a actualização permanente do plano de emergência, assim como temos trabalhado em cooperação com o Serviço Regional de Protecção Civil e Bombeiros dos Açores (SRPCBA), bem como ainda dispomos de dez unidades de protecção civil espalhadas pelas Freguesias”. Acresce a formação dada em matéria de protecção civil, inclusive aquela que será ministrada em breve às populações no respeitante a primeiros socorros. Ricardo Silva recorda que no ano passado foi realizado o exercício “Açor 2007” para testar a resposta perante eventuais catástrofes, envolvendo o SRPCBA, Forças Armadas e poder local. “No concelho existe actividade em que não se aplica o conceito de ‘arrumado na gaveta’”. Já para o presidente da Câmara Municipal da Povoação, Francisco Álvares, o SRPCBA podia fazer mais exercícios em São Miguel, em articulação com o poder local. Mas Álvares não deixa de frisar também que o seu município, onde se insere a área do vulcão das Furnas e o primeiro a ter aprovado um plano de emergência, actualiza permanentemente o documento. E tanto assim é que “o nosso gabinete de protecção civil reúne periodicamente para actualizar o plano. Vamos procurando actualizá-lo, incorporando dados novos”. A Câmara Municipal da Horta, onde existe a Caldeira do Faial, junta-se ao coro de protestos. O gabinete de João Castro fez saber que as críticas do vulcanólogo não se destinam a este município, cujo plano de emergência, “com capacidade de resposta”, foi recentemente testado. “Relativamente a crises vulcânicas, o Plano contempla, no anexo C3, uma preparação específica para reacção a estas situações, descreve as principais vulnerabilidades, prevê a afectação de meios humanos e técnicos, bem como descreve, por Freguesia, as principais características geomorfológicas”, clarifica.
Planos de emergência
Autarquias contestam Victor Hugo Forjaz
As autarquias não reagiram bem às críticas formuladas pelo director do Observatório Vulcanológico e Geotérmico dos Açores, Victor Hugo Forjaz, para quem os planos de emergência para fazer face a erupções vulcânicas estão “arrumados na gaveta”.
Autor: Paulo Faustino
