Sociedade

Associações e ONG portuguesas no Fórum Social Mundial das Migrações

Cerca de 40 membros de associações de imigrantes e ONG portuguesas vão participar no Fórum Social Mundial das Migrações, em Madrid, para "estabelecer contactos e participar na discussão sobre alternativas às actuais políticas de imigração", adiantou uma responsável.


Quatro dezenas de membros de associações de imigrantes e várias organizações não-governamentais (ONG) viajam para a capital espanhola para participar no III Fórum Social Mundial das Migrações (FSMM), que este ano se realiza sob o lema "Nossas vozes, nossos direitos: por um mundo sem muros", entre quinta-feira e domingo, em Madrid, Espanha.

    "O objectivo é conhecer mais da realidade e do movimento social em todo o Mundo. Também pretendemos estabelecer contactos importantes e contribuir para a discussão sobre alternativas às políticas actuais de imigração", explicou hoje à Agência Lusa Lídia Fernandes, activista da Solidariedade Imigrante (SOLIM), associação que organiza a viagem.

    Após a recente aprovação da polémica "Directiva de Retorno" pelo Parlamento Europeu, e numa altura em que Paris coloca as migrações como tema central da presidência francesa da União Europeia - propondo um Pacto Europeu sobre Imigração e Asilo que "visa facilitar as expulsões e proibir os processos de regularização massiva" -, o FSMM será um "momento importante de mobilização, discussão de estratégias comuns de resistência e propostas de alternativas", sublinhou.

    Lídia Fernandes lembrou que o Fórum, que se realiza de dois em dois anos, é um espaço importante de reunião da sociedade civil, associações e movimentos sociais de todo o Mundo para "partilhar, debater e realizar propostas em matéria de migrações, desenvolvimento e direitos humanos no contexto dos processos de globalização".

    "Um dos pontos fortes de discussão será a tendência para a criminalização dos imigrantes na Europa e os poucos mecanismos que têm sido criados para favorecer a imigração legal", adiantou.

    Segundo a activista da SOLIM, o debate sobre as questões da imigração vai ser "bastante amplo".

    O evento também será "uma oportunidade para preparar uma série de eventos e acções de protesto a nível europeu, agendados para Outubro", altura em que se prevê que a presidência francesa da União Europeia (UE) apresente o seu Pacto de Imigração e Asilo, explicou.

    "Outubro vai ser um mês importante a nível de mobilização em torno das questões da imigração. Prevê-se a realização de vários protestos na Europa contra o Pacto, com destaque para a manifestação que vai decorrer em Paris", adiantou.

    "Também em Portugal realizar-se-ão várias iniciativas", acrescentou, evitando, no entanto, dar para já mais pormenores.

    A globalização e as migrações; as sociedades de origem e alternativas de desenvolvimento; fronteiras e direitos humanos; as sociedades de destino e a situação dos migrantes e asilo, refúgio e deslocamentos, são os principais blocos temáticos em destaque no FSMM, que domingo será encerrado por uma grande manifestação nas ruas da capital espanhola.
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