Arqueólogos descobrem dois túmulos antigos na cidade egípcia de Luxor

Arqueólogos descobrem dois túmulos antigos na cidade egípcia de Luxor

 

Lusa/AO online   Cultura e Social   10 de Dez de 2017, 10:15

O Egito anunciou, este sábado, a descoberta de dois pequenos túmulos antigos, com 3.500 anos, na cidade de Luxor, que espera que impulsione os esforços de reavivar o setor do turismo do país atualmente em dificuldades.

Os túmulos, que datam da época do Império Novo, foram escavados numa necrópole na margem ocidental do rio Nilo, perto de Luxor, onde estava a antiga Tebas, capital dos faraós, figuram como a mais recente descoberta arqueológica naquela cidade do sul do Egito.

Uma múmia, em bom estado de conservação, uma estátua de uma cantora do deus Ámon Ra e centenas de artefactos de madeira e cerâmica ou pinturas intactas foram encontrados por uma missão de arqueólogos liderada por Mostafa Waziri, que é também secretário-geral do Conselho Supremo de Antiguidades.

Os túmulos, que pertenciam muito provavelmente a nobres e altos funcionários da época e ainda não identificados, foram inicialmente descobertos na década de 1990 pela arqueóloga alemã Frederica Kampp, mas não tinham sido ainda alvo de escavações.

O achado mais valioso foi uma estátua, de cerca de 60 centímetros decorada com vivas cores, que representa uma mulher identificada como Isis Nefret, que estava numa câmara de sete metros na tumba denominada Kampp 150. Essa mulher foi, muito provavelmente, uma cantora do deus Ámon, a principal divindade da mitologia egípcia, e era mãe da pessoa que foi enterrada no sarcófago, que quis a homenagear a progenitora, explicou Mostafa Waziri.

“O trabalho da cantora de Ámon Ra era muito importante na época”, entre o final da XVII dinastia e o início da XVIII, por volta do siglo XVI a.C., explicou o mesmo especialista, citado pela agência de notícias espanhola Efe.

Os arqueólogos levantam a hipótese de o proprietário do túmulo ser um escriva chamado Maati, cujo nome surge junto ao da sua mulher, Mehi, em 50 cones funerários. Outra possibilidade é a de que pertença a uma pessoa chamada Djehuty Mes, cujo nome aparece esculpido numa das paredes, sobre quem se desconhece, porém, outros detalhes.

O outro túmulo, denominado de Kampp 161, fica a poucos metros de distância, na mesma margem do rio Nilo, e consiste numa câmara, de cerca de seis metros, profusamente decorada com inscrições hieroglíficas que “parecem que foram pintadas ontem ou há meia dúzia de dias”, realçou Mostafa Waziri.

O bom estado de conversação das pinturas deve-se ao facto de o túmulo ter sido reutilizado, altura em que se gerou uma camada de poeira ou areia que protegeu as suas cores durante mais de três milénios.

Na câmara desse túmulo, que data da XVIII dinastia, foi descoberta a parte inferior de um sarcófago decorado com uma cena da deusa Isis a levantar as mãos.

Ambos os túmulos, localizados na encosta de uma colina árida, a poucos quilómetros do Vale dos Reis, continham inúmeros objetos funerários, como cones, peças de imobiliário, louças e centenas de “ushabtis”, estatuetas que se colocavam nos enterros.

Esta é a terceira descoberta desde o início do ano na necrópole de Dra Abu al Naga.

Em abril foi encontrado o mausoléu de um dirigente da antiga Tebas, enquanto a descoberta da sepultura de um ourives que viveu na XVIII dinastia, que continha peças de um dos templos do deus Ámon Ra, foi anunciada no mês de setembro.

Estima-se que haja nesta necrópole pelo menos 250 túmulos, na sua maioria pertencentes a altos funcionários que trabalham ao serviço da corte do antigo Egito.



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