A descida do 1.º Dezembro da Liga3 para o Campeonato de Portugal marcou a temporada 2025/202 do treinador açoriano Pedro Costa.
No segundo ano à frente dos destinos do conjunto sintrense, os maus resultados ditaram um desfecho inesperado e, em entrevista ao Açoriano Oriental, o técnico terceirense faz um balanço honesto e sem rodeios: “Foi uma época muito desafiante, de crescimento imenso, mas o balanço é negativo. Não há outra forma de o dizer. Aprendi muito, mas preferia ter garantido a manutenção”, realça o treinador oriundo da ilha Terceira.
Olhando para trás, o 1.º Dezembro até entrou bem na competição e, nos primeiros sete jogos (incluindo a prestação na Taça de Portugal), a formação de Sintra não registou qualquer derrota e liderava a Série B da Liga3. Pedro Costa foi mesmo distinguido como o melhor treinador da prova no mês de agosto, um prémio que, nas suas palavras, “não sabe a nada”, dado o desfecho da temporada.
“É um prémio que trocava por pontos. Além disso, o mérito desse prémio é essencialmente dos jogadores”, afirmou.
O ponto de viragem da época coincidiu com a entrada de um grupo de investidores alemães que adquiriu uma participação na SAD do 1.º Dezembro. Segundo o treinador, a intervenção desse grupo foi determinante para a instabilidade que se seguiu.
“Começaram a dispensar jogadores sem consentimento da equipa técnica, a contratar fora dos valores salariais do plantel e a condicionar as minhas decisões em campo”, explicou Pedro Costa.
Volvidos dois meses, os investidores acabaram por abandonar o projeto e deixaram o clube mergulhado numa profunda crise, já que à falta de uma liderança clara, vieram os problemas financeiros agravados. Salários em atraso e condições de treino precárias - a equipa trabalhou exclusivamente em campo sintético - tornaram-se parte do quotidiano do 1.º Dezembro e vários jogadores abandonaram o clube, atraídos por propostas mais vantajosas.
“Ninguém usa as condições como desculpa. Sabíamos desde o início que seria difícil. O que não esperávamos era a entrada e saída de investidores a meio da época”, sublinhou o técnico.
Pedro Costa admite que no período de maior turbulência recusou duas propostas concretas de outros clubes da Liga 3, com melhores condições financeiras e desportivas.
A razão para as recusas foi de ordem pessoal: a SAD ainda não tinha sido aprovada em Assembleia Geral e o treinador não quis abandonar as pessoas que lhe tinham dado uma oportunidade quando estava sem clube.
“Olhando para trás, racionalmente devia ter saído. Mas os meus valores não me deixaram. Se voltasse atrás, provavelmente tomava a mesma decisão”, reconheceu, acrescentando que considera, até ao momento, este o “maior erro” da sua carreira do ponto de vista profissional.
Futuro em aberto
Com 71 jogos realizados na Liga 3 (ao serviço do Amora, Lusitânia e 1.º Dezembro), Pedro Costa é o treinador com mais partidas disputadas na competição entre os que concluíram a época 2025/2026, e o quarto com mais jogos desde a criação da prova pela Federação Portuguesa de Futebol, há cinco anos.
Apesar deste registo, a descida de divisão do 1.º Dezembro condiciona os planos imediatos do treinador natural da Praia da Vitória.
“As consequências desta época vão fazer com que haja menos propostas para regressar à Liga 3 ou dar o salto para os campeonatos profissionais. Terei também de olhar para o Campeonato de Portugal, campeonatos distritais ou nacionais de Sub-23”, assumiu o técnico de 38 anos.
Pedro Costa não fecha, também, a porta a um eventual regresso aos Açores ou a uma experiência como treinador adjunto num clube de ligas profissionais, caso o contexto, em ambos os casos, seja desportiva e financeiramente favorável.
“Tenho 20 anos de carreira como treinador, comecei com 17 anos. Ainda sou novo e estamos sempre a aprender”, argumentou o técnico que conta com passagens pelos escalões de formação do Praiense, Barreiro, Lajense e Fontinhas, tendo nos seniores atuado no Angrense, Guadalupe, Fátima, 1.º Dezembro, Louletano e Salgueiros como técnico principal e adjunto.
O treinador deixa a época 2025/2026 - e a experiência no 1- Dezembro - com a convicção de que, nas circunstâncias vividas, a manutenção teria sido, nas suas palavras, “um feito enorme”.
“O meu diretor desportivo dizia-me antes de começar que conseguir a manutenção seria um milagre. E esse milagre esteve vivo durante muito tempo”, expressou Pedro Costa.
