Saúde

Apenas 37 mil portugueses inscritos como não dadores

Apenas 37 mil portugueses inscritos como não dadores

 

Lusa / AO online   Nacional   29 de Nov de 2007, 10:11

Em mais de uma década, cerca de 37 mil portugueses recusaram que os seus órgãos sejam doados para transplantes, um número que os especialistas consideram pouco expressivo e atribuem à falta de informação.
Segundo dados do Ministério da Saúde a que a Lusa teve acesso, o registo nacional de não dadores de órgãos "post mortem" tem um total acumulado de 37.461 inscritos desde 1994 a 2006.

Para o presidente da Sociedade Portuguesa de Transplantação, António Morais Sarmento, este número não tem uma maior dimensão por desconhecimento das pessoas em relação à lei.

"Quando surgiu a legislação que tornava todos os que não manifestassem o contrário em potenciais dadores de órgãos houve muitas inscrições, porque se falou muito no assunto", comentou à agência Lusa o responsável.

De acordo com os números oficiais, no primeiro ano de funcionamento o registo nacional de não dadores (RENNDA) teve mais de 23 mil inscrições, mais do que todas as registadas nos 12 anos seguintes.

A lei que instituiu a criação deste registo define que o Governo deve promover campanhas sobre o significado, em termos de solidariedade, da colheita de órgãos para transplantes e sobre a possibilidade de qualquer pessoa se manifestar indisponível para a dádiva.

Além da falta de informação, a Sociedade Portuguesa de Transplantação aponta a "inércia" dos portugueses como outro motivo para "os números de não dadores estarem subvalorizados".

"Ninguém se inscreve para doar como para não doar. Há uma inércia brutal nas pessoas", justificou.

António Morais Sarmento admite que motivos religiosos possam também ser uma das causas que leva a que algumas pessoas se registem como não dadoras, mas considera que "os órgãos não fazem falta nenhuma nos cemitérios".

"As pessoas que não doassem órgãos também não deviam ser receptoras. Pode parecer uma coisa muito forte, mas é uma questão de justiça", considerou.

    O especialista recorda que todos os países têm uma grande carência de órgãos, já que a procura é muito maior do que a oferta.

Em Portugal, a maior lista de espera para receber órgãos é a do rim, onde mais de duas mil pessoas se encontram a aguardar, uma lista que cresce a um ritmo de 100 a 150 pessoas por ano.

No entanto, este ano está a ser considerado "bom" em termos de colheita, com 25 órgãos colhidos por cada milhão de habitantes, quando no ano passado a relação era de 20 órgãos por milhão de habitantes.

Segundo os dados do Ministério da Saúde, o RENNDA tem registadas mais mulheres do que homens, com mais três mil pessoas do sexo feminino.

A cada pessoa inscrita no sistema é emitido um cartão individual com a menção da sua qualidade de não dador.

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