PSD/Congresso

Ângelo Correia diz que "só em instância última" assume cargo no partido, mas exortou as elites a regressarem


 

Lusa / AO online   Nacional   13 de Out de 2007, 13:26

O ex-ministro Ângelo Correia reiterou hoje que "só em instância última" assumirá um cargo no PSD devido aos seus compromissos profissionais, mas exortou as elites sociais-democratas a regressarem ao partido.
    "Sempre disse que tenho um conjunto de dificuldades devido à minha vida profissional que me obrigam a ser o último dos últimos em termos de imagem, não tenho tempo nem condições. Só em instância última", afirmou Ângelo Correia, em declarações aos jornalistas à entrada para o pavilhão onde decorre o XXX Congresso do PSD, em Torres Vedras.

    Apesar disso, acrescentou, estará sempre "em primeiro lugar para ajudar".

    No segundo dia dos trabalhos do congresso, Ângelo Correia, que foi mandatário nacional da candidatura do novo líder social-democrata, Luís Filipe Menezes, aproveitou também para fazer apelo às elites do PSD, como Barbosa e Melo e Costa Andrade, para que voltem a colaborar com o partido, "porque o país precisa delas".

    Contudo, acrescentou, a essas elites, que têm esse estatuto porque são reconhecidas "pelo seu trabalho e consistência", devem igualmente juntar-se novas elites.

    "O partido precisa de novas elites, pessoas que estão afastadas, que estão nas universidades, nas empresas (…). Onde estão as elites nacionais temos que ir lá ter com elas, com humildade, simplicidade", defendeu.

    Porque, acrescentou, "as elites são fundamentais", pois tal como num exército, num partido, devem existir "as tropas, o Estado-Maior e quem comanda".

    Acerca do seu regresso à vida política, ao fim de mais de dez anos de afastamento, Ângelo Correia admitiu estar relacionado com "dois problemas angustiantes" que levaram a que sentisse a "necessidade, o imperativo categórico de estar presente".

    Por um lado, relatou, sentiu que era seu "dever moral combater a tendência hipócrita" que estava instalada no partido, com o antigo líder do PSD, Luís Marques Mendes, a ter a seu lado "um conjunto de pessoas notabilíssimas", mas que antes de o apoiarem "diziam que não gostavam dele".

    Além disso, continuou, o PSD estava "distante do país".

    Questionado sobre se tem alguma preferência para o lugar de líder da bancada parlamentar, Ângelo Correia admitiu que sim, mas escusou-se a exprimir a sua opinião.

    "Tenho preferência, mas não a expresso. Devemos dizer sempre a verdade, mas, às vezes, nem toda a verdade", gracejou, justificando o seu silêncio com a "questão ética" de não pertencer ao colégio eleitoral que irá eleger o novo líder parlamentar do PSD.

    Instado a comentar a possibilidade de o novo líder parlamentar ser o ex-primeiro-ministro e antigo presidente do partido Pedro Santana Lopes, Ângelo Correia disse apenas que se trata de uma pessoa com "muitas qualidades" e que "merece ser respeitado".

    Ângelo Correia tentou ainda desvalorizar a questão na nova liderança do grupo parlamentar, considerando que se trata de uma questão "essencial, mas lateral".

    O ex-ministro deu, contudo, a entender que não concorda com a posição que Luís Filipe Menezes está a ter quando diz que a escolha do novo líder da bancada tem exclusivamente a ver com os deputados, dando total autonomia ao grupo parlamentar nessa questão.

    "Luís Filipe Menezes fez uma opção", disse.

    Questionado sobre se essa seria também a sua opção, Ângelo Correia sorriu, dizendo apenas: "sabe, eu tenho mais cabelos brancos".
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