Alunos portugueses com piores resultados entre comunidades estrangeiras


 

Lusa / AO online   Nacional   29 de Out de 2007, 16:22

Os alunos portugueses na Suíça obtêm os resultados escolares mais baixos entre as comunidades estrangeiras e recorrem "excessivamente" a classes especializadas, denuncia um relatório do organismo que coordena os serviços escolares daquele país (CDIP).
O documento, a que a Agência Lusa teve acesso, foi enviado em Setembro para os serviços escolares dos cantões suíços e teve por base uma reunião que membros do CDIP mantiveram em Julho com uma delegação portuguesa, chefiada pelo secretário de Estado das Comunidades, António Braga.

De acordo com o documento, o nível de aprendizagem dos filhos dos emigrantes portugueses é o mais baixo, sendo apenas comparado com o das crianças turcas.

O CDIP diz igualmente que os alunos portugueses "raramente acedem a uma formação pós-obrigatória", profissional ou universitária.

Para a CDIP, os fracos resultados escolares das crianças portugueses devem-se "ao desinteresse total dos pais em acompanhar” a educação dos filhos e à "origem sócio-cultural modesta".

"As famílias portugueses que se instalaram na Suíça são geralmente de uma origem sócio-cultural muito modesta (para não dizer mais)", lê-se no documento, que adianta que a maior parte das famílias "não tem o hábito de leitura".

A CDIP classifica os portugueses na Suíça como "uma comunidade sem cabeça", por não disporem de qualquer elite que lhes possa servir de modelo.

"Esta situação explica-se em virtude das perturbações políticas que Portugal conheceu após a Revolução dos Cravos (1974): depois da democratização do país, a maioria dos quadros e dos intelectuais portugueses que residiam na Suíça e que aí tinham feito os seus estudos, regressaram ao seu país; daí em diante apenas as famílias de origem modesta se fixaram na Suíça", destaca o relatório.

O documento ressalva ainda que a inserção económica e profissional dos portugueses na Suíça "é excelente", sendo muitas vezes superior à dos cidadãos suíços.

"É importante assinalar o espírito de contraste entre as dificuldades escolares e os sucessos sócio-económico", diz o relatório.

Contactado pela Agência Lusa, o embaixador de Portugal em Berna, Eurico de Paes, disse que o relatório reflecte a preocupação das autoridades suíças para com as crianças portuguesas.

Eurico Paes adiantou que as classes especiais fazem parte do sistema educativo suíço e são frequentadas por um grande número de portugueses.

De acordo com o embaixador, a média dos alunos portugueses nessas classes é de 11 por cento, enquanto a média das crianças de outras nacionalidades, incluindo suíças, é de cinco por cento.

"O empenho das autoridades suíças em resolver este problema é idêntico ao das portuguesas", disse.

O secretário de Estado das Comunidades, António Braga, disse à Lusa que "nunca participou em nenhuma reunião que tivessem conclusões dessa natureza".

No entanto, confirmou que em Julho manteve um encontro com os responsáveis da CDIP, por ocasião da visita que efectuou à Suíça.

Um documento, a que Lusa teve acesso, sobre as conclusões da visita que o secretário de Estado das Comunidades fez à Suíça, refere que António Braga considerou "inaceitável" que se efectuem transferências de alunos portugueses para escolas especiais apenas por dificuldades linguísticas.

Na altura, propôs que essa "anomalia fosse urgentemente corrigida por não ser normal que a taxa de frequência nesse tipo de ensino seja mais elevada do que outras nacionalidades".

António Braga sublinha ainda, no documento, que é importante fomentar a frequência nos liceus.
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