Os estudantes do Açores já tomaram conhecimento das notas dos exames, uma vez que as notas em suspenso do ensino secundário foram disponibilizadas domingo. Os alunos que se sentirem prejudicados poderão realizar exames nacionais numa época especial que se realizará em setembro, anunciou o ministro da Educação, Fernando Alexandre.
Em declarações ao Açoriano Oriental, Rui Espínola, diretor regional da Educação e Administração Educativa (DREAE), esclarece que todos os resultados do exames do ensino secundário estão afixados nas escolas, referindo também que os conselhos executivos “trabalharam arduamente” para conseguir disponibilizar a consulta das provas e as classificações aos alunos.
“O processo ficou concluído no dia de ontem (domingo), para que os alunos tenham a oportunidade de poderem decidir sobre eventual reapreciação ou até candidatura à segunda fase dos exames nacionais”, explicou.
O diretor regional também referiu que as provas finais do 9º ano foram disponibilizadas na manhã de segunda-feira, estando já afixadas em todas as escolas, permitindo assim que os alunos possam “decidir o que querem fazer”.
Também em declarações ao Açoriano Oriental, Carlos Amaral, diretor da Escola Secundária Antero de Quental (ESAQ), referiu que, neste momento, salvo algum caso excecional, a situação já se encontra “regularizada”.
Apesar da regularização, o mesmo afirma que o processo “não correu bem”, sendo necessário “fazer uma análise” para perceber de forma concreta o que falhou. “O ficheiro chegou na sexta-feira à noite e os alunos tinham 48 horas para decidir se queriam fazer a segunda fase, sendo que os exames já começam amanhã (terça-feira). Portanto, é evidente que não correu bem”, explica o diretor.
O dirigente indica ainda que todos os alunos da ESAQ que realizaram exames tiveram acesso às provas digitalizadas, sem haver necessidade de realizar um pedido. “Não teríamos recursos humanos na secretaria para estar a deferir ou a interferir pedidos. Portanto, optamos por dar a todos, e mais ainda neste contexto em que as pessoas estão um pouco assustadas e desconfiadas, antecipamos que seriam muitos, então optamos por enviar para todos”, esclarece.
Já Fernando Vicente, presidente do Sindicato dos Professores da Região dos Açores (SPRA), assume ter acompanhado a situação dos exames nacionais de “forma estupefacta”, afirmando que o Ministério da Educação “promoveu” diversas “trapalhadas” ao longo das últimas três semanas. “Esta perturbação toda relativamente aos exames nacionais podem levar a uma falta de confiança relativamente a todo este processo”, refere.
Relativamente ao número de pedidos de revisão dos exames, o dirigente clarifica que, apesar de não haver ainda dados em concreto, “haverá um número significativo de reapreciações a assinalar”, afirmando também que existem casos de alunos que estão a receber provas que “não coincide com aquela que eles fizeram”.
Apesar do elevado número expectável de pedidos de revisão, o ministro da Educação revelou que o custo de 25 euros para realizar o pedido vai manter-se.
Independentemente do número de pedidos de reavaliação que poderão existir, Fernando Vicente deixa claro que “os professores sabem qual é o seu papel, e o seu papel é trabalhar em prol dos alunos". "Os professores são os verdadeiros heróis de toda esta trapalhada e todo este caos montado pelo Ministério da Educação”, afirmou ao explicar que os professores darão conta dos pedidos de revisão.
Já de olhos postos na segunda fase dos exames nacionais, o mesmo afirma que, “segundo o ministro”, estes vão decorrer dentro do prazo previsto, esclarecendo também que “especialmente nos Açores” a tendência é a que haja poucos alunos nesta nova fase de avaliações.
“Este processo revelou uma grande irresponsabilidade do
próprio ministro, uma grande falta de planeamento. Não somos contra a
inovação tecnológica, mas elas têm de ter planeamento, têm de ter
organização. Isto foi o que faltou a este Ministério”, finalizou.
