Adolfo Mesquita Nunes (CDS-PP) acusa PS de já exercer “absolutamente o poder”


 

AO Online/ Lusa   Nacional   31 de Ago de 2019, 19:49

O ex-vice-presidente do CDS-PP acusou este sábado o PS de já exercer “absolutamente o poder”, alertando que, se alcançarem uma maioria parlamentar, os socialistas exercerão “duplamente de forma absoluta” esse poder.

“A única maioria absoluta que o PS teve em Portugal não é de boa memória, e não apenas pelo caos financeiro em que deixou o país. Não é também de boa memória porque quem devia ter denunciado não denunciou, quem devia ter falado não falou, quem devia ter travado não travou”, afirmou Adolfo Mesquita Nunes, numa sessão da Universidade de Verão do PSD, sobre “Que desafios para a democracia hoje?”, referindo-se ao Governo de José Sócrates.

O atual coordenador do programa eleitoral do CDS-PP considerou “surpreendente a possibilidade de se ver com candura e complacência uma maioria absoluta do PS”.

“O PS exerce de forma absoluta o poder mesmo sem maioria, imaginem com maioria” alertou, considerando que “existem já sinais de soberba” na forma como se tratam os adversários e instituições no atual Governo.

Na mesma linha, o outro orador da sessão, o ex-ministro Miguel Poiares Maduro alertou contra “qualquer projeto de poder que implique domínio do Estado”.

“Mesmo em democracia, pode haver uma corrosão da democracia na medida em que há corrosão no processo de definição da verdade e do pluralismo, seja através de processos de ocupação do Estado, de monopólio da comunicação social, como tivemos em Portugal, penso que hoje já é claro, na época de Sócrates”, afirmou, num dia em que antigo primeiro-ministro socialista escreve um artigo no Expresso sobre esse período de governação.

Poiares Maduro considerou que seria importante que a classe política já se tivesse pronunciado “sobre a dimensão política, não judicial” de um processo como a Operação Marquês.

“É inaceitável que uma democracia desenvolvida possa ter conhecimento de comportamentos políticos e éticos permanecendo silenciosa ao fim destes anos, é um atestado de menoridade que estamos a passar a nós próprios”, advertiu.

O professor universitário e antigo ministro de Passos Coelho afirmou, ainda com base no processo Operação Marquês, que é possível dizer que “há uma corrupção no funcionamento da política”, que nesse período se fazia “colocando determinadas pessoas em posições-chave, não com base no mérito, mas na proximidade pessoal”, por exemplo.

“Não criámos políticas que promovam e reforcem a capacidade de seleção para posições chave do Estado e da Administração Pública, pelo contrário, aquilo a que assistimos recentemente é à diminuição do que tinha sido criado a esse respeito”, criticou, apontando o papel da CRESAP (Comissão de Recrutamento e Seleção para a Administração Pública) como exemplo.

Outro exemplo que Poiares Maduro trouxe aos alunos da Universidade de Verão da JSD foi uma reunião em 2016 entre o primeiro-ministro, António Costa, e a empresária angolana Isabel dos Santos, que teria servido para debater a sua participação no BPI.

“É essa opacidade, é acharmos normal um Governo, de forma reservada, intervir sobre estrutura acionista de um banco que explica situações como a do dr. Berardo. É fundamental que no debate sobre corrupção do nosso sistema político passemos a ser consequentes”, defendeu.

Também Adolfo Mesquita Nunes – cuja presença na Universidade de Verão do PSD resultou de ter sido um dos nomes mais pedidos pelos alunos em edições anteriores - defendeu que, em Portugal, “o nível de exigência tem de subir” em relação à classe política, e lamentou que cada vez mais a dimensão emocional se sobreponha à racional nas reações e tomadas de posição políticas.

“Na discussão política, a moderação está fora de moda e é vista como fraqueza”, afirmou, lamentando que a atual forma de fazer se baseie em “deslegitimar o outro” e a sua visão do mundo.

Poiares Maduro, que já é um ´professor´ habitual no módulo de ciência política em Castelo de Vide, considerou que em Portugal há “muitos políticos demagogos, mas não muitos que se possam definir como populistas”.

“Só há um partido político em Portugal que já teve, talvez mais, mas continua a ter algum discurso que identifico com o populismo, que é o Bloco de Esquerda”, afirmou, estranhando que em Portugal se considere normal que “o PS tenha feito uma coligação de Governo com partidos que aceitam ditaduras”.


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