Adesão à greve dos funcionários de investigação da PJ é elevada

A greve dos funcionários da investigação criminal da Polícia Judiciária (PJ) ao trabalho suplementar, que começou às 00:00 desta quarta-feira, está a ter uma adesão "muito grande", disse à agência Lusa uma fonte sindical.


 

“A adesão à greve é muito, muito grande. Nas prevenções em que os funcionários são chamados fora de horas, a adesão é de 100%. Não há ninguém disponível para intervir”, disse à agência Lusa o presidente da Associação Sindical dos Funcionários de Investigação Criminal (ASFIC), Carlos Garcia.

Na origem da greve por tempo indeterminado, convocada pela ASFIC, está a recusa do Ministério da Justiça em aprovar o estatuto profissional da classe.

“Os motivos prendem-se acima de tudo com a revisão do estatuto de carreira do pessoal da investigação criminal que devia ter sido revista em 2008 e de lá até aqui temos vindo a tentar junto da tutela e da direção da polícia que essa mesma revisão aconteça”, contou.

O presidente da ASFIC lembrou que os funcionários da investigação criminal da PJ já tinham feito uma greve no ano passado que terminou em janeiro deste ano devido à promessa de negociação por parte da ministra da Justiça, Paula Teixeira da Cruz.

“Tal não aconteceu. As reuniões agendadas foram desmarcadas pelo ministério e não foram marcadas novas datas. Por isso, fomos levados a encetar pela via da greve”, disse.

Numa carta aberta dirigida ao primeiro-ministro e à ministra da Justiça, a ASFIC da PJ considera que houve uma "grave violação", por parte do Ministério da Justiça, do que fora acordado com a ASFIC/PJ, designadamente quanto "à ausência de negociação de um estatuto adequado à função" destes profissionais, onde se inclui o pessoal que desempenha tarefas de inspeção judiciária e/ou lofoscopia naquela polícia.

Na mesma carta, a ASFIC aponta a "incapacidade revelada pela tutela e pela direção nacional da PJ para preservar a instituição das graves consequências resultantes de uma aplicação cega e incompetente da Lei Geral do Trabalho em Funções Públicas aos investigadores criminais".

Considerando que a entrada em vigor e a aplicação desta lei veio "agravar ainda mais as condições e o regime de trabalho dos investigadores criminais", a ASFIC/PJ decidiu avançar para uma greve, por tempo indeterminado, ao trabalho suplementar e ao trabalho a prestar em unidades de prevenção, nos períodos compreendidos entre as 18:00 e as 09:00 de todos os dias úteis.

A greve destas unidades de prevenção pode, na prática, revelar-se problemática porque, caso haja um homicídio, a PSP ou a GNR terão de ficar a preservar o local até que, no dia seguinte, chegue uma equipa da PJ para investigar o crime, já que a PJ tem a competência exclusiva para averiguar homicídios.

Foi ainda declarada greve a todo o trabalho a prestar no chamado período de intervalo de descanso, compreendido entre as 13:00 e as 14:00, de todos os dias úteis.

Existem em Portugal cerca de 1.300 funcionários de investigação criminal.

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Greve geral

O Governo Regional dos Açores esclareceu que “não fixou quaisquer serviços mínimos” no dia da greve geral, ao contrário do que foi referido pela Federação Nacional dos Sindicatos dos Trabalhadores em Funções Públicas e Sociais (FNSTFPS)