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Adelino Maltez destaca pluralismo que obrigará PS a negociações permanentes

O politólogo e professor Adelino Maltez considerou os resultados das eleições nos Açores uma “festa do pluralismo” que vai obrigar o PS a uma engenharia pós-eleitoral e a negociações permanentes ao longo do mandato.

Adelino Maltez destaca pluralismo que obrigará PS a negociações permanentes

Autor: Lusa/AO Online

O histórico confronto “entre os dois partidos dominantes” na região, PS e PSD, levou a que, entre “tanto enfrentamento”, não se tenha antecipado que destas eleições resultariam “tantas forças sentadas no parlamento” (oito), afirmou o professor do Instituto Superior de Ciências Sociais e Políticas (ISCSP), da Universidade de Lisboa, em declarações à Lusa.

A eleição pela primeira vez de deputados do PAN, da Iniciativa Liberal e do Chega, a que se soma a perda de eleitos por parte do PCP, resulta, segundo o politólogo, numa “festa do pluralismo” que vai reforçar o parlamentarismo açoriano, mas também obrigar a “uma engenharia com possibilidade de sucessivas coligações negativas face ao partido que venceu em termos relativos”, o PS.

Os resultados da votação nos Açores “exprimem uma geografia eleitoral cada vez mais próxima da geografia da República”, considerou Adelino Maltez, sublinhando a influência dos resultados eleitorais do continente na tendência de voto do arquipélago.

Já no que toca a coligações pós-eleitorais nos Açores, “as coisas não se traduzem com tanta facilidade”, afirmou, defendendo que, mais do que a formação de uma “geringonça”, o que terá de haver é “capacidade de flutuação do partido mais votado para captar apoios para cada caso”, numa “negociação permanente que vai marcar o trabalho de Vasco Cordeiro”, enquanto reforça o parlamentarismo.

As “engenharias pós-eleitorais” levantam também o receio do agravamento de uma crise política que “preocupa os açorianos”, mas Adelino Maltez não tem dúvidas de que “há uma pulsão de unidade que vai ultrapassar as divergências no sentido da autonomia” - PS e PSD não deixarão de “estar juntos” no que respeita à defesa dessa autonomia.

O PS venceu as eleições legislativas regionais dos Açores de domingo, mas perdeu a maioria absoluta que tinha no parlamento da região desde 2000.

Os socialistas elegeram 25 deputados, menos cinco do que há quatro anos, e o PSD, o segundo partido mais votado, conseguiu 21 mandatos, mais dois do que em 2016.

O CDS-PP continua a ser o terceiro partido com maior representação no parlamento regional, mas perdeu um dos quatro mandatos conquistados há quatro anos.

O quarto partido mais votado foi o Chega, que pela primeira vez concorreu às legislativas regionais e elegeu dois deputados, o mesmo número de mandatos conseguidos pelo BE (mantendo o resultado de 2016).

O PPM duplicou a sua representação parlamentar e passa a ter dois deputados (um deles eleito em coligação com o CDS-PP).

As eleições dos Açores de domingo marcam ainda a entrada pela primeira vez no parlamento regional da Iniciativa Liberal (um) e do PAN (um).

Por outro lado, o PCP deixa de estar representado na Assembleia Legislativa da Região Autónoma dos Açores.


 
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