Policiamento de Proximidade

600 agentes há um ano mais próximos da população


 

Susana Oliveira - Lusa / AO online   Nacional   27 de Nov de 2007, 14:52

Mais de 600 elementos da PSP trabalham há um ano no Programa Integrado de Policiamento de Proximidade (PIPP), que aproximou polícia e cidadãos e ajudou a resolver pequenos problemas que muitas vezes se transformam em grandes fontes de insegurança.
Desde Novembro de 2006 que nos 18 distritos onde está a ser testado o policiamento de proximidade aumentou a colaboração entre a comunidade e a polícia.
"As equipas identificam pequenos problemas que por vezes não são questões de segurança pública, mas que podem ter impacto no sentimento de insegurança da população, como a falta de iluminação e a má sinalização rodoviária", explicou à Lusa Luís Elias, coordenador do projecto a nível nacional.
"Queremos no futuro afastar o carácter essencialmente aleatório que muitas vezes está ligado à tradicional patrulha, passando esta a ser policiamento de proximidade, com objectivos definidos, vocacionados para a prevenção, sinalização de problemas que possam pôr em causa a segurança dos cidadãos", acrescentou.
O responsável da PSP disse ainda que a experiência "está a correr bem" e que "representa uma alteração das práticas na polícia".
"As esquadras estão mais disponíveis para colaborar com os parceiros locais. A polícia não era tão chamada e agora celebramos dezenas de protocolos, de natureza nacional e local, para tentar resolver problemas locais. Cada vez mais a polícia é um parceiro que não é esquecido", reconheceu.
Os projectos-piloto arrancaram em Novembro de 2006 em 18 distritos, depois de formados os mais de 600 agentes para as equipas de rua.
"A PSP formou os agentes, aliás, todo o efectivo da esquadra que ia acolher o projecto-piloto recebeu formação para que todos percebessem qual era o espírito e a filosofia do PIPP", explicou Luis Elias.
Adiantou ainda que o PIPP acabou por funcionar como "um grande chapéu-de-chuva", que abarcou todos os projectos de policiamento de proximidade que já existam (escola segura, idosos em segurança e apoio à vítima), "alguns dos quais a funcionar a nível local, mas sem lógica de conjunto", como era o caso do comércio seguro.
"Os programas 'Comércio Seguro (2000)', 'Idosos em Segurança (1999/2000)', 'Escola Segura (desde 1992)", são iniciativas do Governo. O que fizemos foi juntar tudo no mesmo guarda-chuva, mantendo independente o 'Escola Segura', que tinha atingido tamanha importância que era injusto ficar apagado", esclareceu.
O PIPP tem duas vertentes: Escola Segura, que recebeu 375 agentes, e Proximidade e Apoio à Vítima (com 240 elementos), que tem como público-alvo os menores, idosos, comerciantes e vítimas de violência doméstica.
A experiência acabou por ser tão positiva que futuramente o policiamento de proximidade poderá ser alargado a mais locais.
"O projecto está em avaliação. Não queremos estar a fazer alterações agora para não influenciar os resultados. Queremos perceber o que correu bem e menos bem e só depois tomar decisões ponderadas. Alargar para mais locais é uma ambição, mas tem se ser bem avaliado", disse.
A experiência está a ser avaliada - com financiamento do programa Operacional da Administração Pública - com a ajuda do departamento de sociologia da Universidade Nova de Lisboa, que elaborou os inquéritos.
"Queríamos perceber junto da população qual era a opinião dos cidadãos sobre o trabalho da polícia na sua localidade e o que entendiam os cidadãos do policiamento de proximidade" explicou Luís Elias, acrescentando que os inquéritos foram igualmente distribuídos na esquadras dos 18 distritos abrangidas pelo projecto.
"Fizemos os inquéritos em todas as esquadras abrangidas e foram questionados todos os agentes da esquadra, independentemente de fazerem ou não parte das equipas de policiamento de proximidade".
De acordo com os dados recolhidos no primeiro inquérito, 59 por cento dos cidadãos disseram sentir-se seguros na via pública e só três por cento confessaram o sentimento de insegurança.
Quanto à violência nas cidades, metade dos inquiridos considerou a sua cidade pouco violenta.
Questionados sobre quais os problemas que afectam mais a segurança da população, 25 por cento dos inquiridos responderam que eram as questões de droga (tráfico ou consumo) ou álcool, um dado que acabou por ser corroborado pelas respostas dos agentes, 23 por cento dos quais apontou a droga como o principal problema da área da esquadra a que pertence.
"Passado um ano queremos analisar a evolução. Estamos na fase do segundo questionário para avaliar como funcionou o projecto e quais as alterações no sentimento da população", afirmou Luís Elias.
"As pessoas podem não conhecer muito bem o policiamento de proximidade, mas encaram-no de uma forma positiva. É um trabalho que tem que ser acompanhado para não 'desfocar' os seus objectivos. Se o agente estiver na rua apenas para ser visto não é um serviço eficaz".
O relatório final deverá ficar concluído em Fevereiro e só depois qualquer decisão de alargamento do projecto será tomada.
De qualquer forma, Luís Elias não tem dúvidas: "É óbvio que melhorou a imagem pública da PSP".

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