Ucrânia

Zelensky ameaça mobilizar exército contra Orbán se este não aprovar ajuda a Kiev

O Presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, ameaçou recorrer ao exército para lidar com o primeiro-ministro húngaro, Viktor Orbán, se este continuar a bloquear o empréstimo de 90 mil milhões de euros aprovado pela União Europeia (UE) em dezembro



“Esperamos que essa pessoa, na União Europeia, não bloqueie os 90 mil milhões de euros, ou a primeira parcela dos 90 mil milhões de euros, e que as Forças Armadas ucranianas continuem a ter armamento. Caso contrário, daremos o endereço dessa pessoa às nossas Forças Armadas, aos nossos soldados. Que lhe telefonem e falem com ele na sua língua (a das Forças Armadas)”, declarou Zelensky numa reunião pública com o seu Governo.

O chefe de Estado ucraniano emitiu este comentário no início da reunião, à qual assistiu a comunicação social e da qual o seu gabinete divulgou depois um vídeo, quando questionava o ministro da Defesa, Mikhailo Fedorov, sobre as necessidades económicas da Ucrânia para continuar a ter acesso a diversos tipos de armamento.

Orbán deixou claro que irá bloquear a aprovação da emissão de dívida necessária para financiar o empréstimo à Ucrânia até que Kiev restabeleça o trânsito de gás russo para a Hungria através do oleoduto Druzhba.

A Hungria não recebe petróleo por essa via desde 27 de janeiro, quando um ataque russo danificou uma parte estrutural do gasoduto situada na Ucrânia.

A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, instou a 24 de fevereiro Zelensky a acelerar a reposição do funcionamento da infraestrutura.

Orbán afirma que o oleoduto está operacional e que os ucranianos estão a manter o trânsito de petróleo russo suspenso por razões políticas e exigiu a Kiev que autorize que uma equipa de especialistas húngaros avalie a infraestrutura.

Segundo informações publicadas pelo jornal Financial Times, a UE está a pressionar Zelensky para que permita uma inspeção do oleoduto.

As declarações de hoje de Zelensky a propósito de Orbán surgem depois de a Hungria ter libertado na quarta-feira dois prisioneiros de guerra ucranianos, que também possuem passaportes húngaros, após negociações unilaterais com Moscovo que provocaram indignação em Kiev.

Kiev e Budapeste têm protagonizado conflitos frequentes desde o início da guerra russa na Ucrânia, a 24 de fevereiro de 2022.

Orbán é o líder europeu mais próximo do Kremlin e desde que começou o conflito que se opõe ao armamento da Ucrânia e à imposição de sanções à Rússia.

O líder húngaro está atualmente em campanha eleitoral e tem feito referências diárias a Zelensky, que acusa de ingerência nos assuntos internos da Hungria e de tentar arrastar Budapeste para o conflito.


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