Aeroporto de Lisboa

Um novo estudo este mês a partir de Coimbra em defesa da Ota


 

Lusa / AO online   Economia   3 de Nov de 2007, 10:23

Um grupo de especialistas e de docentes da Universidade de Coimbra deverá divulgar este mês um estudo sobre as vantagens da Ota para localização do novo aeroporto de Portugal, soube hoje a agência Lusa.
    "É um contributo para a discussão. Um direito de participação", declarou à agência Lusa Manuel Porto, professor catedrático da Faculdade de Direito de Coimbra, presidente da Assembleia Municipal de Coimbra e antigo presidente da Comissão de Coordenação da Região Centro (CCRC).

    De acordo com o docente, e defensor da opção Ota, entre os autores do estudo a apresentar ao Governo encontram-se participantes num seminário realizado em Maio último em Coimbra, que teve como organizador o professor catedrático da Faculdade de Economia de Coimbra, e antigo presidente da CCRC, José Reis.

    Desse grupo de oradores no seminário "Um aeroporto para o país: as vantagens da Ota" faziam parte o empresário Henrique Neto, o antigo ministro do Equipamento, Planeamento e Administração do Território João Cravinho, Jorge Gaspar, professor da Faculdade de Letras de Lisboa, o constitucionalista Vital Moreira, e os presidentes das comissões de coordenação e desenvolvimento regional do Centro e do Vale do Tejo, respectivamente Alfredo Marques e António Fonseca Ferreira, entre outros.

    Manuel Porto adiantou à agência Lusa que o estudo a apresentar é um aprofundamento das conclusões desse seminário realizado na Faculdade de Economia de Coimbra, em Maio último.

    Ao defender a opção da Ota, o catedrático da Faculdade de Direito de Coimbra sustenta que 92 por cento do tráfego de passageiros do actual aeroporto internacional da Portela é oriundo do norte do rio Tejo, o que por si coloca em situação de desvantagem a proposta de Alcochete preconizada em estudo tornado público esta semana pela Confederação da Indústria Portuguesa (CIP).

    "Qualquer ligação a sul é dramática", observou, frisando que em vários testes que efectuou ao trajecto entre a Ota e o actual aeroporto da Portela nunca ultrapassou os 20 minutos.

    Um outro aspecto que Manuel Porto destaca é o das ligações ferroviárias pelo interior do aeroporto, que na sua óptica é impensável não estar contemplada num projecto moderno, tal como acontece nas grandes capitais europeias.

    Na sua óptica, na articulação ferroviária com o novo aeroporto, a Ota destaca-se porque actualmente o percurso Lisboa-Porto é utilizado por 7 milhões de passageiros por ano.

    As projecções de tráfego ferroviário Lisboa-Porto em 2030 por alta velocidade apontam para 11,7 milhões de passageiros/ano, além das ligações em comboio tradicional actualmente da ordem das duas dezenas/dia a partir de outras proveniências, de Vila Franca de Xira, Tomar, Guarda ou Castelo Branco.

    José Reis, um dos principais dinamizadores deste estudo, adiantou à agência Lusa que no seio do grupo ainda está em discussão qual a forma de o divulgar, embora assuma que terá um carácter de apresentação pública.

    "Faz sentido que esta discussão prossiga", sublinhou, aproveitando para criticar o estudo apresentado esta semana pela CIP, que "parece pensado para fazer mais umas travessias do Tejo", quando "a questão do novo aeroporto deve colocar-se no modo como a sua localização serve o país e o seu ordenamento".

    O novo aeroporto tem de se ligar com outras infraestruturas de mobilidade; as acessibilidades, as ferroviárias e rodoviárias, e "o estudo da CIP esquece isso tudo".

    Ao propor um novo traçado para o TGV provoca uma "enorme descaracterização do país e coloca mais distante Lisboa e Porto", explicou.

    O estudo da CIP "discute do ponto de vista técnico questões de construção, com algumas ideias do ponto de vista de custos. É uma discussão de alguma tecnicidade, que apresenta formas milagrosas se for Alcochete, mas esquece o país", considerou José Reis, professor catedrático da Faculdade de Economia de Coimbra e antigo presidente da CCRC.

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