Na conferência de imprensa diária da Comissão Europeia, o porta-voz do executivo para os Negócios Estrangeiros, Christian Wigand, indicou que a União Europeia (UE) rejeita “qualquer tentativa de promover mudanças demográficas ou territoriais na Faixa de Gaza”.
“Não deve haver deslocações forçadas da população de Gaza. Gaza é parte integrante de um futuro Estado palestiniano”, defendeu, acrescentando que a UE apoia a “unificação da Faixa de Gaza com a Cisjordânia sob a Autoridade Palestiniana”.
O porta-voz considerou ainda que “linguagem incendiária” sobre este assunto é inaceitável.
“Os esforços de todas as partes devem visar reduzir as tensões e não agravá-las”, sustentou.
Esta reação da Comissão Europeia surge depois de, na quinta-feira, o líder do partido Poder Judaico e ministro da Segurança Nacional, o ultranacionalista Itamar Ben-Gvir, ter apresentado um plano que promove a retirada de 1,86 milhões de pessoas da Faixa de Gaza em sete anos.
Na apresentação do plano, a menos de dois meses das eleições legislativas em Israel, Ben-Gvir expressou também o desejo de assumir a pasta da Migração, caso o seu partido se mantenha no governo.
A iniciativa do controverso ministro, que há uma semana se filmou a derrubar um memorial palestiniano na Cisjordânia, surge um dia depois de o seu colega da Defesa, Israel Katz, ter declarado que o seu país está pronto para retirar a população da Faixa de Gaza “por terra, mar e ar”, logo que os Estados Unidos, país mediador no conflito no enclave palestiniano, deem o seu aval.
Segundo Ben-Gvir, o plano do seu partido de extrema-direita, que apoia o maioritário Likud na atual coligação governamental, inclui a criação de um organismo governamental dedicado a esta matéria, acordos com os países recetores, rotas migratórias regulamentadas e pacotes de assistência aos migrantes.
Prevê ainda compensações para países terceiros e auxílio financeiro para migrantes durante os primeiros 24 meses fora da Faixa de Gaza.
De acordo com os números apresentados, o Poder Judaico pretende que cerca de 250 mil pessoas abandonem a Faixa de Gaza no primeiro ano, 1,11 milhões em três anos e 1,86 milhões em sete.
