Cimeira

UE não pode desinvestir na coesão mesmo com orçamento mais limitado

UE não pode desinvestir na coesão mesmo 
com orçamento mais limitado

 

Lusa/AO online   Economia   13 de Nov de 2012, 15:40

O primeiro-ministro português, Pedro Passos Coelho, defendeu esta terça feira, em Bruxelas, que a União Europeia não pode desinvestir na política da coesão, mesmo que o quadro orçamental comunitário para o período de 2014 a 2020 tenha menos recursos.

 

“Se precisarmos de alocar menos recursos, é preciso que sejam alocados junto daqueles que mais precisam. Isso chama-se política de coesão”, disse, acrescentando que a coesão é “uma aposta que não pode ser enfraquecida, apesar das circunstâncias difíceis que todos atravessam”, pois é o melhor instrumento para promover a convergência entre as economias europeias.

Passos Coelho falava numa conferência de imprensa durante uma reunião de 15 chefes de Estado e de Governo do grupo dos “Amigos da Coesão”, uma iniciativa conjunta de Portugal e Polónia, realizada no Parlamento Europeu, e que contou com a participação dos presidentes da assembleia, Martin Schulz, da Comissão Europeia, Durão Barroso, e representantes do patronato e sindicatos.

Segundo o primeiro-ministro, “a dupla mensagem forte” que saiu desta terceira reunião dos “Amigos da Coesão” é que há noção de que, numa altura de constrangimentos orçamentais, “é preciso gastar melhor”, mas não se pode “desinvestir na Europa, quando a Europa precisa de mais confiança e convergência”.

Reconhecendo que conseguir, até final, um acordo a 27 em torno do orçamento da UE para o horizonte 2014-2020 é “uma tarefa que nesta altura parece extremamente complexa”, até porque se têm criado “algumas clivagens” no seio da UE e sido feitos “cortes sucessivos sobre a proposta original da Comissão”, Passos Coelho defendeu todavia que, “tão importante como chegar a um entendimento realista quanto ao valor global do orçamento, é decidir ao serviço do quê colocar o dinheiro” de que a UE irá dispor.

Passos Coelho insistiu que “a coesão representa o compromisso entre o mercado interno e a falta de convergência das economias participantes”.

“Se queremos um mercado interno mais fortalecido e mais competição, precisamos também de distribuir os recursos de que dispomos de uma forma mais racional e concentrar o essencial desses recursos nas economias que apresentam um fosso maior para a convergência europeia”, afirmou.

Assegurando que, nas negociações que se avizinham, os países “Amigos da Coesão” colocarão “todo o realismo na discussão”, o chefe de Governo português defendeu todavia a necessidade de mostrar “duas coisas muito simples”: que, em tempos de incerteza, os países são capazes de chegar a um consenso em torno da estratégia orçamental para os próximos sete anos, e que, se tal implicar um orçamento menos ambicioso, que os recursos “sejam alocados junto dos que mais necessitam”.

Os líderes dos 15 países “Amigos da Coesão” estão reunidos hoje, em Bruxelas, para debater o Quadro Financeiro Plurianual 2014-2020 da UE, numa iniciativa do primeiro-ministro português e do seu homólogo polaco, Donald Tusk, em vésperas de uma cimeira extraordinária (a 22 e 23 de novembro), na qual os 27 tentarão chegar a um acordo sobre o orçamento.

O grupo dos “Amigos da Coesão”, criado por iniciativa de Varsóvia em 2010, é composto por Bulgária, Espanha, Estónia, Grécia, Hungria, Lituânia, Letónia, Malta, Polónia, Portugal, República Checa, Roménia, Eslovénia, Eslováquia e Croácia, este último país futuro Estado-membro.

No final da conferência de imprensa, Passos Coelho, questionado por jornalistas portugueses, escusou-se a responder a questões como uma eventual "derrapagem" nos objetivos do défice para este ano.

 


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