Irão

Trump fala em “última oportunidade” para acordo com Teerão

O Presidente norte-americano, Donald Trump, afirmou que decorrem “neste preciso momento” negociações com o Irão, apesar do desmentido de Teerão pouco antes, garantindo que estas conversações representam “a última oportunidade” para o país alcançar um bom acordo



Numa troca de impressões com jornalistas na Casa Branca, Trump assegurou, esta segunda-feira, que os contactos se realizam “a pedido” de Teerão e com o “apoio” da Arábia Saudita, dos Emirados Árabes Unidos e do Qatar.

“É a última oportunidade que os iranianos têm para assinar um bom acordo”, declarou.

Segundo Trump, as conversações incidem em particular sobre uma reabertura do estreito de Ormuz, possível “já amanhã”, de acordo com o Presidente. Antes, tinha criticado na sua rede Truth Social a “incrível duplicidade” dos dirigentes iranianos.

“Eles pedem um encontro (...), as conversações começam, outras estão previstas para um futuro imediato, e dizem, publicamente e com orgulho, que não têm qualquer discussão”, escreveu.

O Presidente norte-americano ameaçou há alguns dias “atingir duramente” a República Islâmica, antes de anunciar a suspensão dos planos de bombardeamentos maciços, numa nova reviravolta após semanas de alternância entre ameaças e anúncios de negociações.

A resposta iraniana surgiu no ponto de imprensa semanal da diplomacia: “não estamos a negociar com os Estados Unidos neste momento. Negociamos com Omã para garantir uma passagem no estreito de Ormuz”, afirmou o porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros, Esmail Baghaei.

Na véspera, Baghaei falou de um acordo iminente com Omã para reabrir esta via crucial para o comércio mundial de hidrocarbonetos, novamente bloqueada desde o colapso do protocolo de entendimento entre Washington e Teerão no início de julho.

O Irão, que rejeita um regresso à situação antes da guerra, apenas autoriza por enquanto um itinerário junto às suas costas. O sultanato de Omã, que provocara a ira de Teerão em junho ao abrir uma rota alternativa, não fez declarações até ao momento.

“Estamos prestes a alcançar um acordo sobre uma rota aceitável para ambas as partes – nem a rota norte, nem a rota sul –, respeitando os direitos soberanos de cada país e garantindo os nossos interesses nacionais e a nossa segurança”, assegurou Baghaei no domingo.

Por volta das 01:00 em Lisboa, o barril de petróleo WTI norte-americano subiu 0,49% para 80,73 dólares (70,2 euros), enquanto o Brent do mar do Norte, referência mundial, avançava 0,60% para 84,27 dólares (73,2 euros).

Os preços recuperaram após uma queda forte na véspera, alimentada pelas expectativas de negociações entre Irão e Estados Unidos. O Brent chegou a ultrapassar brevemente os 100 dólares no final de julho.

Entretanto, a situação no estreito de Ormuz permanece tensa, com a agência britânica de segurança marítima UKMTO a relatar que um cargueiro foi atingido por um “projétil desconhecido” na noite de segunda-feira para terça-feira, sem indicar vítimas ou danos imediatos.


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