"O movimento Hamas e as fações palestinianas mantêm-se no que foi acordado na implementação da segunda fase do acordo de cessar-fogo, incluindo os compromissos de todas as partes, e esperamos uma resposta clara e oficial do senhor Nikolay Mladenov e dos irmãos mediadores sobre o que foi acordado", publicou o grupo na noite de segunda-feira.
O Conselho da Paz garantiu na segunda-feira ao primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, que este país deve retirar do território palestiniano apenas depois do desarmamento "completo" do Hamas, após uma reunião entre o alto representante para Gaza do conselho, Nikolai Mladenov, e o governante israelita.
Segundo noticiaram ainda o Canal 12 israelita e o portal i24 news, citando fontes do organismo patrocinado por Donald Trump, o alto representante do Conselho da Paz para Gaza tinha pedido na reunião com Netanyahu, que este suspendesse durante 14 dias as operações no enclave palestiniano para permitir o início das negociações sobre a desmilitarização do Hamas.
Mladenov, acompanhado pelo conselheiro do Conselho da Paz Aryeh Lightstone, transmitiu a Netanyahu que Israel deverá interromper as operações militares em cumprimento dos compromissos previstos no plano de paz de 20 pontos impulsionado por Donald Trump, referiram aqueles meios.
Israel tinha expressado a Washington as suas "preocupações" sobre o acordo anunciado por Trump para lançar a segunda fase do seu plano para Gaza.
O Hamas, por sua vez, tinha anunciado sexta-feira que aceitava o plano elaborado pelo Conselho da Paz.
Apesar da conclusão de um cessar-fogo em outubro de 2025, as hostilidades nunca cessaram no território devastado por dois anos de guerra, com ambos os lados a acusarem-se mutuamente de violar a trégua.
Desde outubro, mais de 1.200 palestinianos foram mortos em Gaza, segundo o Ministério da Saúde, cujos números são considerados fiáveis pela ONU. O exército israelita, por seu lado, registou cinco soldados mortos no período, assim como um funcionário civil.
Qatar, Egito e Turquia, países mediadores do cessar-fogo entre Israel e Hamas, condenaram na segunda-feira os ataques israelitas à Faixa de Gaza nos últimos dias.
Numa declaração conjunta, os três países manifestaram "forte condenação e repúdio" pelas "violações" por Israel no território palestiniano, sublinhando também a importância de Telavive "cumprir as suas obrigações" e "compromissos no âmbito do acordo de cessar-fogo" alcançado em outubro.
Além disso, denunciaram que os contínuos ataques de Israel à Faixa de Gaza não só "violam o acordo", como também "minam os esforços para a implementação" da segunda fase deste, que estipula que o Hamas e outras fações palestinianas deponham as armas.
Donald Trump anunciou na quinta-feira um pacto para o "desarmamento total" do Hamas, no qual Israel se compromete com os termos do Protocolo de Sharm el-Sheikh, assinado em outubro de 2025, em particular a "cessação das operações militares", segundo o guião publicado pelo Conselho da Paz.
Este roteiro prevê ainda a eliminação gradual das capacidades militares do Hamas e de outras fações em Gaza, sob a condição de Israel cessar os seus ataques.
No entanto, os ataques israelitas a Gaza durante o fim de semana causaram a morte de pelo menos 28 palestinianos, continuando na segunda-feira, com pelo menos mais duas mortes no enclave.
