A Associação de Táxis de São Miguel (ATSM) vê com preocupação os próximos meses para o setor devido à quebra de clientes. Em declarações ao Açoriano Oriental, o presidente da Associação de Táxis de São Miguel, Paulo Botelho, salienta que a atividade está a passar por uma mudança profunda com a entrada das plataformas de TVDE.
“O setor do táxi, neste momento, está em plena transformação. A curto prazo, o táxi vai sofrer muito com essa transformação. Com a entrada dos TVDE no mercado, o que tem-se notado, de facto, é uma quebra de serviço enorme”, afirma o presidente da associação.
Para o dirigente associativo, a expansão dos TVDE está a acontecer “demasiado depressa” e defende, por isso, a limitação do número de licenças TVDE. “O setor do TVDE está a crescer numa velocidade tremenda e já alertei várias vezes que era preciso regular o setor para que não haja excesso de oferta”, salientou.
O presidente da associação realça ainda que não é contra a
integração dos TVDE na Região, mas defende que é urgentemente e
necessária a regulação das licenças dos TVDE.
“Eu não sou contra as
licenças de TVDE. Sou contra haver um excesso de licenças. Tem de
existir um número máximo de veículos, ajustado à nossa população, porque
não podemos contar com o turismo durante todo o ano, porque sabemos que
o turismo é sazonal”, disse.
Com a entrada desses operadores, o setor do táxi está a viver uma fase que não vivia antes. “Antes da entrada dos TVDE havia muita procura e pouca oferta [em São Miguel]. Agora está precisamente ao contrário: há pouca procura e há muita oferta”, alerta o dirigente associativo.
Uma situação que afetou várias atividades económicas dos Açores: a paragem completa da operação da Ryanair no arquipélago. Um problema que também está a afetar os taxistas de São Miguel. “Com a saída da Ryanair há cada vez menos pessoas a pedir táxi”, disse Paulo Botelho.
Com
menos turistas e e com uma menor quantidade de pessoas a pedir
serviços, os taxistas salientam que têm tido uma grande diferença no
número de serviços este ano.
“Temos cerca de metade dos serviços em comparação com os últimos dez anos”, realçou o presidente da ATSM.
Por isso, a classe teme os próximos tempos: “Aquilo que é perspetivável é que não se avizinham tempos muito bons, porque a realidade está aí à vista. Estamos em pleno verão e as coisas estão completamente diferentes do que foram nos últimos dez anos”.
Daqui a uns meses estaremos de volta ao inverno e, por isso, a classe teme para os possíveis efeitos.
“Com
a paragem da operação da Ryanair, o inverno perspetiva-se de problemas
económicos gravíssimos”, salientou o dirigente associativo.
Transição de taxistas para TVDE e licenças em risco
Com os desafios atuais e futuros dos taxistas, Paulo Botelho disse ainda que há um “número considerável” de taxistas em São Miguel que já transitaram na classe. “À volta de uns 15 motoristas já passaram de um lado para o outro desde a integração dos TVDE”, disse o presidente da associação.
Para o entrevistado, estas transições podem aumentar nos próximos tempos: “A tendência que eu vejo é que quem não é proprietário do carro prefere ir para os TVDE, faz uma licença (...) e transita para o outro lado”, salientou.
“Se isso continuar da forma que está, acredito que num intervalo de uns dois, três anos, haverá licenças de táxi que vão parar. Não tenho dúvidas nenhuma disso, porque a realidade está à vista, e há muitas pessoas a transitar de um lado para o outro”, acrescentou.
E deixou ainda um recado para o futuro: “O meu receio é que chegue o dia em que muitos proprietários não consigam trespassar as licenças de táxi, porque já não haverá interessados. O outro lado [os TVDE] é muito mais fácil de entrar”.
Relativamente à descarbonização da classe, o dirigente associativo salientou que o Governo Regional concedeu apoios financeiros nesse âmbito, mas deixou críticas às atuais infraestruturas de carregamento rápido.
“(...) Praticamente está tudo avariado. Nem os municípios nem o Governo Regional estão interessados nisso e as pessoas veem-se atrapalhadas para carregar os carros”, critica o presidente da associação.
Paulo Botelho realça que ainda consegue carregar um carro em casa, mas as restantes duas viaturas dependem das parcerias com entidades, admitindo que “não pode passar a vida nisso”.
O entrevistado pretende, por isso, uma resolução rápida para resolver esta situação, salientando que “sem eletricidade não se consegue ser produtivo”, o que obriga os taxistas a perder tempo e, consequentemente, serviços.
Relativamente aos jovens, o presidente da associação salienta que é crucial continuar a atrair jovens para garantir a continuidade e sustentabilidade do setor dos táxis em São Miguel.
Por fim, o presidente da Associação de Táxis de São Miguel pede ao Governo Regional a entrada de uma nova companhia aérea lowcost na Região, com o objetivo de mitigar a “quebra terrível” dos últimos meses para o setor.
