Três locais nobres da ilha de São Miguel com hotéis inacabados e abandonados

Três locais nobres da ilha de São Miguel com hotéis inacabados e abandonados

 

Lusa/AO Online   Regional   6 de Mai de 2013, 11:57

Ponta Delgada, Furnas e Sete Cidades, na ilha de S. Miguel, têm dois hotéis inacabados e um abandonado, motivando protestos das autoridades locais, que dizem estar em causa a dignificação de pontos turísticos por excelência dos Açores.

O presidente da Junta de Freguesia das Furnas, concelho da Povoação, Delmar Medeiros, considera que "foi cometido um crime" com a construção do Furnas SPA Hotel, que "destruiu as termas que estavam a funcionar" naquela que considera ser a capital do turismo açoriano.

"Além de se ter mexido com o património, ele funcionava, curava doenças e dava emprego e mexeu-se com a economia de uma localidade", afirmou.

O autarca (independente) falava à agência Lusa acerca do local onde funcionavam as famosas termas das Furnas, onde há cerca de sete anos se começou a construir o Furnas SPA Hotel. A obra está parada há cerca de três anos e o hotel nunca chegou a abrir.

"Por aquilo que tenho ouvido na sociedade, deram cabo das águas e, se isto é verdade, devia alguém responder criminalmente", defendeu, acrescentando que nunca foi ouvido num processo onde, na sua ótica, "se destruiu um monumento para se fazer um SPA que nunca funcionou e nunca irá funcionar".

O projeto é da Asta Atlântida, Sociedade de Turismo e Animação, SA, que resultou de uma parceria entre o Grupo Paim e o Grupo Martins Mota, tendo este último sido entretanto substituído pelo Grupo Machado.

"A empresa recebeu subsídios, a empresa recebeu dinheiro para pagar a funcionários, de maneira que era pegar na parte que eles erraram, responder por aquilo que fizeram e o Governo pegar naquilo, porque não há que dar mais oportunidades a quem não cumpriu minimamente com nada", disse Delmar Medeiros.

O mesmo grupo, a Asta Atlântida, tem outra obra por acabar em São Miguel, o Hotel Casino, em Ponta Delgada, numa zona nobre da cidade, um projeto de cinco estrelas que inclui aquele que poderá ser o primeiro casino do arquipélago.

Para o presidente da Câmara de Ponta Delgada, José Manuel Bolieiro, é "urgente intervir" e "encontrar uma solução" para este caso.

"A minha intervenção é de denúncia e de preocupação e de estímulo para uma atitude corajosa de pôr fim a uma inércia e chamar a terreiro privados, públicos, opinião cívica livre, para encontrarmos uma solução", afirmou.

Para José Manuel Bolieiro (PSD), a obra do Hotel Casino, parada há cerca de três anos, "não dignifica a cidade, os Açores e uma política turística e urbanística para apresentar enquanto porta de entrada nos Açores".

A agência Lusa contactou o Grupo Paim, que por e-mail esclareceu que, através "de negociações" com o Grupo Machado, "foi possível elaborar um plano estratégico" para a sociedade e a "submissão de um processo especial de revitalização (PER)".

"O plano de negócios contemplado no PER foi aprovado por mais de 90% dos credores e aguarda apenas a homologação por parte do juiz", lê-se na informação enviada à agência Lusa.

Segundo Vânia Paim, da administração do grupo, a concretizar-se o PER, "as fontes de financiamento estarão garantidas para a conclusão de todos os projetos", referindo-se ao Furnas SPA Hotel e ao Hotel Casino.

Em situação de extrema degradação está o Hotel Monte Palace, o único de cinco estrelas que houve na região, construído em 1985 e sem funcionar desde a década de 1990. O edifício, totalmente abandonado, fica junto ao miradouro da Vista do Rei, nas Sete Cidades.

"Quem chega ali, ao ponto mais turístico da freguesia, vê a linda paisagem, olha para o lado e vê um monstro daquele tamanho e, para mim, dá mau aspeto", disse o presidente da Junta de Freguesia das Sete Cidades, concelho de Ponta Delgada.

Segundo Manuel Arsénio Roque (PSD), o Hotel Monte Palace está sem vigilância há dois anos e, desde então, "tem sido vandalizado" e utilizado por toxicodependentes.

O imóvel está na posse do Banif, na sequência de uma penhora ao Grupo SIRAM, uma informação confirmada pelo banco, que não prestou outros esclarecimentos à Lusa.

"É uma pena as entidades governamentais não se interessarem por aquilo. Além do mais, as Sete Cidades foram eleitas há dois anos uma das Sete maravilhas de Portugal", lamentou o autarca.

O presidente do Governo dos Açores disse recentemente, a propósito do Hotel Casino, que não está em causa investimento público, apesar de o projeto ter beneficiado de apoios, mas assegurou que o executivo "tem acompanhado o processo". Vasco Cordeiro acrescentou que "o que interessa não é apenas que haja uma solução definitiva para o empreendimento, mas, sobretudo, a calendarização definitiva e realista" de um projeto "valorizador da oferta turística" açoriana.

 

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