Emprego

Trabalhadores do Primeiro de Janeiro despedidos continuam sem receber salários em atraso


 

Lusa/AO online   Economia   25 de Ago de 2008, 18:47

Os trabalhadores de O Primeiro de Janeiro, despedidos no passado dia 30 de Julho, continuam sem receber os salários em atraso e o subsídio de férias prometido pela então directora, Nassalete Miranda, antes da dissolução daquele órgão.
Em causa estão parte dos salários do mês de Junho, o mês de Julho e o subsídio de férias, o que significa que alguns jornalistas dos quadros, com salários mais elevados, estejam há três meses com apenas um ordenado mínimo.

    Em comunicado enviado às redacções, os jornalistas “despedidos ilegalmente”, como assinam o documento, explicam que “o último depósito feito pela administração do [jornal] centenário nas contas bancárias dos 34 jornalistas e dos três funcionários administrativos foi feito no dia 24 de Julho, quando passava já quase um mês sobre a data prevista, e pelo menos três colaboradores do jornal, que não tinham contrato de trabalho e foram despedidos por essa altura, continuam sem receber os honorários pelo trabalho realizado nesse mês”.

    “Há 32 dias sem pôr a vista em dinheiro, e tendo de fazer face às despesas do quotidiano, os 34 jornalistas e os três administrativos estranham a ausência de medidas por parte das instâncias competentes, e lamentam que o caso - de índole criminosa, praticado por um empresário ligado a diversas fraudes e há poucos meses condenado por ter enganado o Estado - comece a cair no esquecimento das autoridades e da opinião pública”, refere o documento.

    Em declarações à Lusa, Carla Teixeira, uma das jornalistas despedidas do Janeiro, contou que o sentimento da antiga redacção do diário matutino “é de frustração por saber que nos devem e que estamos a passar dificuldades porque alguém se está a furtar a cumprir com as suas obrigações e porque o Eduardo Costa não está, com certeza, a passar dificuldades”.

    Em tom de desabafo, Filinto Melo, jornalista despedido de O Primeiro de Janeiro, escreve no blogue dedicado àquele diário estar “há setenta e quatro dias sem ingerir um salário por inteiro”.

    “Para além, disso, companheiros, há já trinta e nove dias que não toco mesmo em pinga de dinheiro colocado na minha conta”, lamenta.

    O jornal O Primeiro de Janeiro suspendeu a sua publicação no passado dia 1 de Agosto, após o despedimento colectivo de toda a redacção (34 jornalistas e três administrativos), regressando às bancas no dia 4 de Agosto pela mão de Rui Alas, ex-director do suplemento desportivo daquele órgão, e quatro jornalistas do mesmo suplemento.

    A anterior directora do jornal, Nassalete Miranda, tinha anunciado no dia 31 de Julho que O Primeiro de Janeiro cessaria a sua publicação durante o mês de Agosto "para modernização em termos gráficos e de conteúdo".

    Durante vários dias os trabalhadores despedidos colectivamente reuniram-se frente à antiga redacção do Janeiro, em Coelho Neto, para manifestar o seu descontentamento, recebendo a visita e o apoio de vários partidos políticos.

    A 4 de Agosto o deputado do PCP Honório Novo, esteve presente na manifestação dos jornalistas despedidos de O Primeiro de Janeiro frente à redacção, considerando toda a situação “inaceitável e ilegal”.

    Também o BE mostrou o seu apoio aos trabalhadores, garantindo que vai questionar o governo sobre a responsabilidade do Ministério do Trabalho, lembrando que Autoridade para as Concessões de Trabalho “deve zelar pelo respeito” dos mesmos.

    José Soeiro, do BE, prometeu ainda questionar, num requerimento a entregar no parlamento, sobre “o empresário (Eduardo Costa) que trata assim os trabalhadores e actua de forma aparentemente ilegal depois de ter sido condenado por fraude na utilização de fundos do estado e este ano ter sido apresentado como empresário modelo pelo governo na sessão de atribuições de verbas do QREN”.

    Recorde-se que gestor do diário O Primeiro de Janeiro, Eduardo Costa, foi julgado em Abril de 2003, em Oliveira de Azeméis por forjar uma publicação e burlar o Estado com o porte-pago.

    Em Março de 2008 parte do julgamento foi repetida, condenando Eduardo Costa a uma pena de prisão de dois anos e seis meses, suspensa por um ano, por fraude na obtenção indevida de subsídios por parte do Estado, através do jornal Recortes da Província.

    A 7 de Agosto o presidente da Federação Distrital do PS/Porto, Renato Sampaio, manifestou "total solidariedade" com os trabalhadores despedidos de O Primeiro de Janeiro e disponibilizou-se para "tudo fazer" para que os seus direitos sejam "devidamente assegurados".

    A 11 de Agosto o deputado socialista Fernando Jesus pediu às autoridades competentes, nomeadamente a Inspecção-Geral do Trabalho, a fiscalização da forma como os jornalistas foram despedidos para castigar eventuais desvios da legalidade.

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