Temperatura do planeta pode subir 4,8 graus e nível do mar até 82 cm

 Temperatura do planeta pode subir 4,8 graus e nível do mar até 82 cm

 

Lusa/AO online   Internacional   27 de Set de 2013, 10:01

A temperatura do planeta poderá aumentar até 4,8ºC este século e o nível do mar poderá subir até 82 centímetros, com danos relevantes na maior parte das regiões costeiras do globo, alerta o Painel Intergovernamental sobre Alterações Climáticas.

 

Na primeira parte do seu quinto relatório de avaliação, hoje apresentado em Estocolmo, os especialistas deste painel das Nações Unidas apresentam vários cenários possíveis, tendo em conta quase 10 mil estudos independentes realizados nos últimos anos.

Numa mensagem gravada e emitida no início da conferência de imprensa, o secretário-geral das Nações Unidas, Ban Ki-moon, disse: "O aquecimento é real. Agora temos de agir".

O relatório confirma, "ainda com mais certeza, que as alterações climáticas se devem à atividade humana", disse na apresentação do documento o secretário-geral da Organização Meteorológica Mundial, Michel Jarraud.

Segundo o responsável, o documento mostra de forma inequívoca que o clima tem vindo a aquecer e os cientistas estão 95% seguros de que a atividade humana é a "causa dominante" do aquecimento global desde os anos 50 do século passado, um aumento de certeza em relação aos 90 por cento referidos no relatório de 2007.

Desde 1950 foram observadas no sistema climático mudanças que não têm precedente nas décadas que antecederam o novo milénio e cada uma das três últimas décadas foi sucessivamente mais quente na superfície terrestre do que qualquer outra desde 1850 e, provavelmente, do que nos últimos 1.400 anos, alerta o sumário da primeira parte do relatório.

A segunda e a terceira partes da quinta avaliação serão apresentadas ao longo dos próximos meses e uma síntese será publicada em novembro de 2014.

“A nossa avaliação da ciência mostra que a atmosfera e o oceano têm aquecido, a quantidade de neve e gelo tem diminuído, o nível médio global do mar tem aumentado", disse Qin Dahe, copresidente do grupo de cientistas responsável por esta primeira parte do trabalho do IPCC.

Thomas Stocker, o outro copresidente, disse por seu lado que "limitar o aquecimento global requer uma redução substancial e sustentada das emissões de gases com efeito de estufa".

No relatório agora apresentado são simulados quatro diferentes cenários de concentrações de gases de efeito estufa, possíveis de acontecer até o ano de 2100.

Em todos os cenários o aquecimento continua, e em todos menos o mais otimista a temperatura global da superfície terrestre deverá aumentar mais do que 1,5ºC até ao fim do século em relação ao período entre 1850 e 1900.

Nos dois cenários mais pessimistas, o aumento excede os 2°C.

“As ondas de calor deverão acontecer mais frequentemente e demorar mais tempo. À medida que a Terra aquece, esperamos ver as regiões atualmente húmidas a receber mais chuva e as zonas secas a receber menos", disse Thomas Stocker.

Quanto aos efeitos do aquecimento global no nível do mar, o relatório considera muito provável que a camada de gelo do Ártico continue a diminuir e que o volume glacial continue a decrescer.

O nível médio global do mar continuará a aumentar segundo todos os cenários previstos pelos cientistas, variando entre um mínimo de 26 centímetros e um máximo de 82.

Na sua intervenção, Thomas Stocker sublinhou que estes cenários significam que "a humanidade tem opção de escolha", já que a realidade dependerá de quanto dióxido de carbono é emitido nos próximos anos.

Esta primeira parte do relatório, hoje divulgada, será a referência central para as outras partes e será crucial nas futuras negociações da Convenção quadro das Nações Unidas sobre Alterações Climáticas para alcançar um acordo mundial em 2015.


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