SPRA contesta realização de prova de acesso à profissão

SPRA contesta realização de prova de acesso à profissão

 

Lusa / AO online   Regional   29 de Out de 2007, 16:20

O Sindicato dos Professores da Região Açores (SPRA) alertou  esta segunda-feira que uma eventual prova de acesso para a docência é uma medida "injusta", temendo que venha a ser aplicada no arquipélago.
"Não é numa prova de duas ou três horas que se tem autoridade para pôr em causa um processo de avaliação feito pelas instituições de Ensino Superior, que envolveu centenas de horas em testes e trabalhos", afirmou aos jornalistas o presidente do SPRA, à margem de um plenário, em Ponta Delgada, para analisar as medidas de política educativa do Governo.

Segundo Armando Dutra, tendo em conta que está em fase de regulamentação o Estatuto Nacional, que também cria uma nova prova de acesso à categoria de professor, como mais uma exigência de habilitação da docência, os docentes da Região, possivelmente, não se libertarão da sua realização.

No entender da estrutura sindical, trata-se de "mais um mecanismo artificial" do Governo para tentar mostrar "uma redução do desemprego da classe, que atinge actualmente níveis alarmantes".

Além disso, os docentes que "não passarem nestas provas deixam de serem considerados professores, o que constitui mais um obstáculo e uma medida injusta, pondo em causa inclusivamente as instituições de Ensino Superior", onde foi ministrada a formação, apontou o dirigente sindical.

Para o secretário-geral da FENPROF, a eventual aplicação dessa prova "faz parte da desconfiança que se tem vindo a constatar de repente" em relação ao desempenho dos professores portugueses, daí que a sua criação com as características propostas "não tem qualquer tipo de explicação".

"Existe em muitos governantes uma profunda desconfiança sobre o profissionalismo, o empenhamento e a qualidade do desempenho dos docentes portugueses, e isto é injusto", criticou Mário Nogueira.

O secretário-geral da FENPROF sublinhou que, em alternativa, os professores deveriam ter, ao longo da sua profissão, acesso a formação contínua, para os manter actualizados perante as novas realidades e desafios das escolas.

Por outro lado, sublinhou que os professores deveriam ser sujeitos a uma avaliação de desempenho que fundamentalmente pudesse ir ao encontro das necessidades formativas da profissão.
 
No plenário desta segunda-feira, os professores vão ainda analisar o Estatuto da Carreira Docente na Região, o qual, segundo o presidente do SPRA, contém "erros de escrita que necessitam de ser vistos".

Entre eles, figuram aspectos relacionados com o direito à protecção da doença e à formação que "estão postos em causa", precisou aos jornalistas Armando Dutra.

O dirigente sindical frisou "não fazer sentido" que se "penalize" os trabalhadores estudantes de procurarem tirar pós-graduações, mestrados e doutoramentos, alegando que os docentes que recorrerem a estas faltas "ficam preteridos nos direitos às bonificações que lhes estão atribuídas".

O facto de os professores "estarem obrigados à permanência de 24 ou de 26 horas na escola e, depois, a este tempo ser acrescentado um conjunto de mais horas para reuniões ou outras actividades retira tempo necessário à preparação na actividade lectiva", acrescentou Armando Dutra.

Para recolher as preocupações dos professores e depois fazer chegar estas questões à tutela na Região, a estrutura sindical vai realizar plenários idênticos aos de hoje em todas as ilhas açorianas.
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