Nacionalização do BPN

Sócrates nega depósito do Estado no BPN

Sócrates nega depósito do Estado no BPN

 

Lusa/AOonline   Economia   5 de Nov de 2008, 16:50

O primeiro-ministro negou esta quarta-feira que o Estado tenha depositado 500 milhões de euros no Banco Português de Negócios (BPN) depois de conhecer as irregularidades na gestão do banco, mas assumiu que há uma conta aberta desde 1999.
José Sócrates respondia ao líder parlamentar do PCP, Bernardino Soares, e ao presidente do CDS-PP, Paulo Portas, que confrontaram o Governo com um alegado depósito feito pela Segurança Social no BPN, no valor de 500 milhões de euros.

    "Não é verdade que o Estado tenha ido a correr depositar 500 milhões de euros ao BPN. Não existe um depósito de 500 milhões de euros da Segurança Social. O que há é uma conta aberta no BPN desde 1999", reagiu Sócrates, dirigindo-se a Bernardino Soares.

    Antes o líder parlamentar do PCP considerou que esse alegado depósito de 500 milhões de euros constituiu "uma vergonha para o Governo, porque se tratou de brincar com o dinheiro dos trabalhadores".

    O primeiro-ministro reagiu também a Paulo Portas, que o questionou sobre a razão que levou o Estado a não levantar o seu dinheiro no BPN logo que tomou conhecimento da existência de problemas neste banco.

    "O senhor deputado achava que o Estado devia ir a correr levantar o dinheiro para precaver o seu depósito? Não, o Estado sabe que os seus depósitos estão garantidos, tal como estão garantidos todos os depósitos dos portugueses", respondeu.

    José Sócrates respondeu também às críticas do presidente do CDS-PP sobre a actuação do governador do Banco de Portugal, Vítor Constâncio.

    Para Paulo Portas, Cabo Verde tem um sistema de supervisão financeira "muito melhor" do que o português, "porque descobriu em Março que havia um problema" com o BPN, mas em Portugal isso aconteceu "apenas em Junho".

    Na resposta a Paulo Portas, Sócrates justificou a actuação do Governo desde o momento em que tomou conhecimento dos problemas do BPN até à decisão de o nacionalizar.

    De acordo com a versão do primeiro-ministro, "há uns meses" o governador do Banco de Portugal informou o Governo que havia uma "situação séria no BPN", que registava "perdas significativas que nada tinham a ver com a situação financeira internacional".

    Essas perdas significativas, pela versão do governador do banco de Portugal, resultavam "provavelmente de comportamentos menos correctos da anterior gestão".

    "O Banco de Portugal informou a Procuradoria Geral da República (PGR) por causa da suspeita de atitudes fraudulentas na gestão, mas informou também o Governo que a administração do banco tinha um plano para resolver a situação", acrescentou Sócrates.

    No entanto, segundo o primeiro-ministro, o Governo, depois de ter acompanhado a administração do BPN no desenvolvimento desse plano verificou mais tarde que a operação "não teria sucesso".

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