Sócrates está sempre em desacordo com soluções apresentadas

Sócrates está sempre em desacordo com soluções apresentadas

 

Lusa/AO Online   Nacional   10 de Dez de 2008, 09:07

O porta-voz da Plataforma dos Sindicatos da Educação, Mário Nogueira, disse hoje à Lusa que o primeiro-ministro, ao contrário do que afirma, está sempre em desacordo com as soluções apresentadas pelos sindicatos para a Educação.

  “O primeiro-ministro diz que está disponível para tudo, mas está sempre em desacordo. Concordo com ele em que a Educação não é um exclusivo do Governo e dos sindicatos, é de toda a comunidade educativa. É um problema de toda a sociedade e do país”, disse à Lusa o dirigente sindical.

    Mário Nogueira comentava assim as declarações de José Sócrates, que quarta-feira, numa reunião com o Grupo Parlamentar do PS, disse que a Educação não é apenas um problema dos professores ou das escolas é uma matéria dos portugueses.

    "Naturalmente, a política de educação tem de contar com os professores mas a educação é uma matéria de todos os portugueses", sublinhou o primeiro-ministro.

    José Sócrates invocou neste contexto "o princípio democrático de que todos estão em condições para se pronunciar sobre política de educação" - e não apenas os sindicatos.

    "Estou disponível para discutir tudo mas não podemos estar sempre de acordo. É a vida", declarou Sócrates, citado por um deputado socialista.

    Em declarações hoje à Lusa, Mário Nogueira considerou que este Governo, assente na sua maioria absoluta, “começou a achar que a Educação era apenas um problema dele e passou a definir políticas e a tomar medidas que têm vindo a fazer com que a educação e o ensino tenham piorado”.

    “O primeiro-ministro ainda não compreendeu o que está em causa. O primeiro-ministro, como não ouve, como não aceita a opinião dos outros e acha que a maioria absoluta lhe dá o direito de arrogantemente continuar a dizer aquilo que acha sobre educação e até quais são as intenções dos outros nomeadamente dos sindicatos”, frisou.

    Mário Nogueira lembrou que os sindicatos pediram reuniões a todos os partidos políticos e que só o PS não respondeu ao pedido.

    “São actos, práticas que no dia-a-dia contrariam todas as palavras de eventual abertura para resolver o problema. Nós achamos que o caminho do diálogo é a solução para os problemas”, disse.

    Sobre a antecipação para quinta-feira da reunião com o Ministério da Educação sobre o modelo de avaliação de desempenho, o sindicalista defendeu o caminho do diálogo como solução para os problemas.

    “Esperamos que quando a reunião começar às 14:00 não esteja aprovado no Conselho de Ministros (que se reúne de manhã) aquilo que está previsto ser discutido, nomeadamente o regime de avaliação transitório para vigorar este ano”, disse.

    De acordo com Mário Nogueira, se isto acontecesse seria muito negativo e contrário aos interesses do país, de serenar os ânimos e o clima nas escolas.

    Mário Nogueira referiu que em cima da mesa para a reunião de quinta-feira estão dois pontos essenciais: “A solução para este ano da avaliação em regime transitório, tendo em conta que a aplicação do modelo não é possível, e a abertura de um calendário de negociações que vise rever o estatuto da carreira docente”.

    O Ministério da Educação antecipou para quinta-feira a reunião com os sindicatos de professores sobre o modelo de avaliação de desempenho, que esteve agendada para o início da próxima semana.

    De acordo com o ME, a decisão da plataforma sindical de suspender as greves regionais, que tinham sido convocadas até dia 12, permite antecipar o encontro, que vai realizar-se na sede do Conselho Nacional de Educação (CNE) e na presença da própria ministra Maria de Lurdes Rodrigues, que habitualmente se faz representar nas rondas negociais pelo secretário de Estado Adjunto.

    Em comunicado, a tutela adianta que esta reunião "permitirá às associações sindicais apresentar as suas propostas sobre o processo de avaliação de desempenho em curso" e definir a agenda de futuros encontros.

    Na sexta-feira passada, o Ministério da Educação e os 11 sindicatos do sector acordaram retomar as negociações sobre o processo de avaliação de desempenho, marcando para dia 15 uma reunião que o secretário de Estado Adjunto, Jorge Pedreira, aceitou realizar-se "com agenda aberta", na qual a tutela ouvirá "tudo o que os sindicatos têm a dizer", incluindo sobre a suspensão do actual modelo de avaliação.


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