Orçamento de Estado 2008

Sócrates e Santana retomam hoje um duelo antigo

Sócrates e Santana retomam hoje um duelo antigo

 

Lusa / AO online   Nacional   6 de Nov de 2007, 03:03

José Sócrates e Santana Lopes reencontram-se terça-feira, na Assembleia da República, no debate do Orçamento do Estado para 2008, depois de nos últimos anos se terem enfrentado várias vezes em clima de elevada tensão.
A última vez que o actual líder parlamentar do PSD, Pedro Santana Lopes, pediu a palavra para entrar em debate com o primeiro-ministro, José Sócrates, aconteceu em Março passado na Assembleia da República.

Mas essa interpelação de Santana ao primeiro-ministro, a propósito das posições dos governos PSD/CDS-PP sobre o aeroporto da Ota, foi interpretada mais como uma farpa ao ex-líder social-democrata Marques Mendes do que como um verdadeiro ataque a José Sócrates, razão pela qual não entrou verdadeiramente na história dos confrontos entre os dois.

José Sócrates e Pedro Santana Lopes começaram os seus frente-a-frente no final de 2003, na RTP, onde todas as semanas faziam (em tom invariavelmente cordial) a análise da semana política.

A relação entre os dois só começou a azedar com a ascensão de Pedro Santana Lopes ao cargo de primeiro-ministro (em Julho de 2004) e de José Sócrates ao cargo de secretário-geral do PS (em Outubro desse mesmo ano).

No Parlamento, em 2004, durante o período de discussão do Orçamento do Estado para 2005, Santana e Sócrates travaram sobretudo dois debates cerrados, com o líder socialista a classificar como "demagógica" e "irresponsável" a proposta de descida de impostos do Governo PSD/CDS-PP.

"A conclusão a que chegamos é que o Dr. Santana Lopes não tem jeito para primeiro-ministro", atirou Sócrates ao actual líder parlamentar do PSD a 17 de Novembro de 2004.

Nesse debate, Sócrates acusou o Governo de Santana de interferir ilegitimamente na comunicação social, acrescentando mesmo que esse Governo esteve na origem do afastamento do ex-líder do PSD Marcelo Rebelo de Sousa dos seus comentários semanais na TVI.

"Fez Portugal regressar aos tempos em que havia condicionamento da liberdade de expressão. Peço-lhe, senhor primeiro-ministro, que resista à tentação de um controlo da comunicação social. Não vá por aí, porque nós cá estaremos para evitar essas tentações", declarou Sócrates.

"Senhor deputado José Sócrates, devo dizer que, normalmente, quando as pessoas resvalam para as considerações de ordem pessoal, é porque lhes falta a razão nas outras matérias. É sempre assim", respondeu Santana, deixando ainda uma nota de ironia sobre o estilo de liderança política de Sócrates enquanto secretário-geral do PS:

"Cá estaremos, com o tempo, para apreciar a eficácia da sua liderança. Cá estaremos!", advertiu Santana.

O actual líder parlamentar do PSD voltou a fazer um aviso à "navegação" de Sócrates em Dezembro de 2004, antes da votação final do Orçamento para 2005.

"Acho extraordinário ter-me dito que nunca ganhei umas eleições nacionais. Espere pelas próximas, senhor deputado, que já vai ver!", afirmou, já então numa alusão às eleições legislativas de Fevereiro de 2005, que acabariam por dar a primeira maioria absoluta ao PS.

O debate mais tenso entre Santana e Sócrates aconteceu em período de pré-campanha eleitoral, a 03 de Fevereiro de 2005, num frente-a-frente na SIC, com o actual primeiro-ministro a queixar-se de ter sido vítima de uma campanha de "boatos mentirosos" provocada por Santana.

O tema das "alusões absolutamente brejeiras" abriu o único debate televisivo que os dois travaram nessa campanha - e foi o que mais tempo ocupou na discussão.

Santana Lopes defendeu-se, negando a autoria de quaisquer insinuações relativamente à vida privada de Sócrates, procurando depois apresentar uma explicação para a sua polémica referência a pessoas que "gostam de outros colos".

"Também lhe quero dizer olhos nos olhos que o senhor [José Sócrates] tem sido levado ao colo por alguns sectores da sociedade", apontou Santana nesse debate na SIC.

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